12/02/2018 09h28 - Atualizado em 12/02/2018 10h44
Ainda não acabou o verão
Ele pode perdurar dentro do peito ardente de quem muito o quer

Talvez essa seja a mais brasileira das estações. O sol amarelo e quente  que aparece cedinho convidando para um mergulho refrescante, regados a geladas cervejas. São os meses de preferência das férias, prioridade absoluta para o ócio e reino das cucas sossegadas. 

As crianças, besuntadas de protetor solar, correm  despreocupadas, à milanesa, atrás de bolas coloridas e superinfladas adquiridas de ambulantes simpáticos e sorridentes. 

Os popôs bronzeados ainda se vêem por desfilar, ziriguidunzeando, nas areias brancas abarrotadas de gente, em meio às sombrinhas coloridas e cascas de coco verde já bebidos. 

Malandramente, piscinas de plástico ainda estão nos quintais de quem não arranjou carona para o litoral.

Assim será até que o clima e os ânimos esfriem.

O tempo passa e parece que essa estação não sai de nós. Não passa.

O sangue (quente) segue correndo pelas veias. O riso e a alegria não saem do rosto de quem aproveitou bem o verão. O corpo malemolente dos passantes estão por aí, sentindo o movimento de quem baila num calçadão ao som de um trio elétrico.

Pouca roupa, muita ousadia. Ah, a ousadia! É no verão que se fazem as tatuagens de henna, os tererês nos cabelos descoloridos e cortados de forma extravagante, como não se veem nos demais períodos do ano. É  nesse tempo que se experimentam novos comprimentos e novas estampas de roupa.

Queremos aquecer a alma. Queremos o coração sempre quente. Queremos essa sensação o ano todo.

O verão talvez seja um dos sinônimos do amor, por isso não queremos que ele se vá de repente. 

Precisamos de amor de uma forma insaciável. Ousado, quente e suado.  Perpétuo.

Ainda não acabou o verão. Ainda não acabou o amor. Ele pode perdurar dentro do peito ardente de quem muito o quer. Mas não se pode descartar aqueles que o experimentam sem querer. Ninguém está imune ao amor, da mesma forma que todos estão sujeitos ao verão. 

Uma estação do ano, outra estação da alma. Quando as duas se encontram explode nos inesquecíveis e intensos amores de verão. Alguns deles que duram a vida inteira; se não durarem, as lembranças permanecerão quentes e darão um suadouro repentino e involuntário.

Estação proibida e desejada que acalora os sentimentos. Belos pores-do-sol que nos colorem e deixam saudade.

Com calor, tudo fica mais fácil. Com amor, tudo tem mais calor.

Bendita estação.

Bendito sentimento.

Bendito verão.

Verão de amores e ardores, se puder, fique mais um pouquinho! É frio quando vai embora.

 



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