Elton Roza - 23/10/2014 09h58 - Atualizado em 27/10/2014 16h48
Eleição consolida influência de Ferraço no sul do Estado
O resultado do pleito também põe o presidente da Assembleia na dianteira da corrida eleitoral em Cachoeiro em 2016.

A eleição no sul do Estado foi marcada pelo aumento do capital político do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM), que o deixou em vantagem para a disputa eleitoral de 2016 no município de Cachoeiro de Itapemirim. Uma movimentação que atenderia ao interesse do governador eleito, Paulo Hartung (PMDB). 
 
Isto porque, ter o imprevisível Theodorico Ferraço na Assembleia é um risco para qualquer governante que pretende não ter dor de cabeça com o Legislativo. Se em 2014, Hartung apoiou a reeleição de Carlos Casteglione (PT) para a prefeitura de Cachoeiro, este ano deve entrar de cabeça na campanha de Ferraço, para tirar a influência do deputado do DEM sobre o Legislativo e regionalizar seu poder. 
 
A disputa pela prefeitura vai travar um novo embate entre Ferraço e o deputado estadual reeleito Rodrigo Coelho (PT). Desta vez, porém, o embate será direto. Em 2014, Rodrigo apoiou a reeleição de Casteglione, de quem foi secretário municipal e quem ajudou em sua primeira disputa a deputado estadual em 2010. 
 
Do outro lado estava Ferraço, que apoiou a candidatura do deputado Glauber Coelho (PR). A disputa foi bem dura e definida nos detalhes em favor de Casteglione. Em 2016, Ferraço vai disputar a reeleição contra o sucessor do petista, que será Rodrigo Coelho. 
 
Para os meios políticos, o cenário também se configura desta forma pela lacuna no cenário local causada pela morte do deputado Glauber Coelho em agosto passado. O deputado vinha aumentando seu capital na região e com sua morte, parte da região do Caparaó acabou adotando a candidatura de Ferraço. O deputado que antes expandia sua influência para o litoral sul, agora também aumenta seu capital em direção aos municípios do interior. 
 
Outra liderança que chamou a atenção do mercado político nesta eleição foi o deputado Marcus Mansur (PSDB), o terceiro eleito da região. Mansur, que era vereador em Cachoeiro, chegou a Assembleia como suplente a partir da eleição de três deputados que se tornaram prefeitos em 2012 na chapa puxada pelo PSDB, que até então não tinha representação na Casa, passou a ocupar uma cadeira. 
 
Mansur não se limitou a fazer um mandato tampão nestes dois anos e passou a disputar com Glauber algumas bases no sul, como Alegre, por exemplo. Com a eleição deste ano, o tucano manteve a representatividade do partido e se consolidou como liderança política da região com um diferencial em relação a Ferraço e Rodrigo, sua influência no meio evangélico. Mansur, porém, não deve disputar a eleição em 2016, embora a proximidade entre o DEM e PSDB possa colocá-lo no palanque de Ferraço.
 
Outras lideranças que disputaram a eleição este ano e ganharam destaque político, podendo ser influentes na eleição municipal da principal cidade da região, são Abel Santana (PV) e Claudia Lemos (PRP). O vereador Alexandre Bastos (PSB) que herda o espólio político de Glauber Coelho pode também ter uma boa influência no pleito.


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