Vera Rosa e Carla Araújo - 07/01/2017 08h49
Secretário de Temer cai após apoiar massacre em presidio
Palácio do Planalto considerou infeliz declaração de Bruno Júlio sobre massacres.
 
O secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, deixou o cargo na noite desta sexta-feira, 6, depois de criticar a repercussão dada ao massacre de presos no Amazonas e em Roraima. Ele disse que "está havendo uma valorização muito grande da morte de condenados, muito maior do que quando um bandido mata um pai de família que está saindo ou voltando do trabalho".
 
À coluna do jornalista Ilimar Franco, publicada no site do jornal O Globo, Bruno Júlio disse que "tinha era que matar mais" e que "tinha de ter uma chacina por semana". "Eu sou meio coxinha sobre isso. Sou filho de polícia, né? Tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana", afirmou à coluna.
Após repercussão negativa da declaração, o secretário divulgou nota sobre o assunto. "O que eu quis dizer era que, embora o presidiário também merecesse respeito e consideração, eu entendo que também temos que valorizar mais o combate à violência. Mecanismos que o Estado não tem conseguido colocar à disposição da população plenamente".
 
E em seguida completou: "Sou filho de policial e entendo o dilema diário de todas as famílias. Quando meu pai saía de casa, vivíamos a incerteza de saber se ele iria voltar, em razão do crescimento da violência". Bruno é filho de Cabo Júlio (PMDB), atualmente deputado estadual em Minas Gerais. 
 
Para o Palácio do Planalto, a declaração do secretário foi "infeliz", uma "tragédia". O governo agiu rápido para evitar uma nova crise e costurou a saída do secretário. No fim da noite, anunciou que o presidente Michel Temer havia aceitado o pedido de demissão. O afastamento será publicado no Diário Oficial da União nos próximos dias. 
Bruno Júlio foi nomeado no ano passado por meio de indicação da bancada mineira do PMDB. Ele é presidente licenciado da Juventude Nacional do partido. 


Folha do Es
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