Kaio Humberto - 11/01/2017 08h35
Morre bebê de grávida baleada por agente penitenciário
A mulher precisou realizar uma cesárea de emergência após levar um tiro na barriga
Morreu nesta terça-feira (10) o bebê da empresária baleada na barriga pelo marido, o agente penitenciário Rafael Zardo Neto. A menina teve que ser retirada com seis meses de gestação em uma cesárea de emergência. A informação foi passada pelos advogados de Rafael, Cristiano Hehr e Eduardo Cavalcante Gonçalves. A Secretaria de Saúde confirmou a morte. 
 
“A gente vê a dor que ele está sentindo de estar sem ver a mulher e ter a notícia de que o bebê morreu. Ele está extremamente arrasado, chora a todo momento e tem alguns flashes de lembrança do ocorrido. Ele tem mais de um ano de matrimônio e sabemos que a mulher também está preocupada com ele”, diz Herh.
 
Rafael atirou na barriga da mulher dentro do carro do casal, por volta das 5 horas do domingo (08), em Vila Velha. Os dois retornavam de um show, em Guarapari, quando o incidente aconteceu. De acordo com Rafael Zardo Neto, o tiro foi acidental. No entanto, a companheira dele, uma empresária de 23 anos, negou a versão e afirmou à policiais civis que o marido atirou nela propositalmente durante uma discussão dentro do carro.
 
Rafael foi preso e autuado por tentativa de homicídio, por dolo eventual (feminicídio), embriaguez ao volante e posse de drogas. Segundo a Secretaria de Segurança pùblica do Estado, a morte do bebê não altera o trabalho da Polícia Civil. Caberá à Justiça determinar se a morte agravará a pena do agente.
 
Em audiência de custódia realizada na segunda- feira (9), a Justiça decidiu manter Rafael na cadeia, em Viana. Na decisão, a juíza Raquel de Almeida Valinho aponta que não há possibilidade de se concluir que o tiro foi acidental, pois o autuado é inspetor penitenciário e tem formação para manusear a arma. Ainda segundo a magistrada, o modo como o crime foi realizado mostra que o agente em liberdade pode criar risco à ordem pública.
 
Dois crimes
 
O agente penitenciário já tem condenação na Justiça por outros dois crimes. A primeira ocorrência aconteceu em dezembro de 2011, em Cachoeiro de Itapemirim, Sul do Estado, após ele se passar por policial civil e agredir um homem.
 
A confusão aconteceu após colegas de Rafael se envolverem em uma briga, momento antes, dentro de uma casa de shows.
 
O outro crime aconteceu horas após outra festa, em março de 2012, também no Sul do Estado. O agente atirou quando realizava a ultrapassagem de um caminhão. À polícia, Rafael disse que disparou para tentar assustar o motorista do veículo que o teria fechado no trecho da rodovia que liga as cidades de Cachoeiro e Alegre, na BR 482.


Gazeta Online
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