Redação - 14/11/2017 11h08
Justiça muda administrador judicial da Itapemirim
O juiz Marcos Horacio Miranda nomeou empresa de Santa Catarina para o trabalho

A venda da Viação Itapemirim e a recuperação judicial do grupo ganhou ontem (13) um novo capítulo polêmico. O juiz Marcos Horacio Miranda, que responde pela 13ª Vara Cível Empresarial de Recuperação Judicial e Falência, determinou a destituição da administradora judicial Saraiva e Alves Advogados Associados, cujo representante é João Manuel de Souza Saraiva.

O novo escritório designado para fazer a administração judicial é o Official Prime Serviços Empresariais, de Chapecó (SC).

Com dívidas trabalhistas e com fornecedores de R$ 336,49 milhões, além de um passivo tributário de R$ 1 bilhão, o grupo Itapemirim entrou em recuperação judicial em março de 2016.

No final daquele ano, a família Cola resolveu vender o controle acionário do grupo, o que incluía seis empresas, para dois empresários de São Paulo: Camila Valdivia e Sidnei Piva de Jesus.

Golpe

De um lado, Camilo Cola Filho, filho de Camilo Cola – fundador da empresa, acusa os novos sócios de terem dado um golpe na família, já que não teriam concluído a compra. De outro, Camila e Sidnei dizem ter feito tudo dentro da lei e apresentam documentos que indicam possíveis fraudes cometidas pelos antigos donos.

Justiça

Na decisão de ontem, o juiz Marcos Horacio Miranda acolheu um parecer do Ministério Público do Estado, em que o promotor questiona quatro pontos. Primeiro, a “inoperância do administrador judicial”, já que, segundo ele, a empresa nomeada apresenta “relatórios sofríveis” de acompanhamento da situação financeira da Viação Itapemirim, em que aponta apenas percentuais de aumento ou queda de receitas e despesas, sem especificar valores empenhados ou justificativa desses acréscimos ou reduções.

O segundo ponto, segundo o MPES, é que a administradora judicial não se pronunciou sobre impactos da formalização de um empréstimo de US$ 150 milhões junto a um fundo norte-americano, dando como garantia parte do acervo imobiliário do grupo Itapemirim. Além disso, o interventor não se manifestou sobre pagamentos mensais à empresa Delta X Tecnologia de Informação, cujos donos são Camila e Sidnei.

Por fim, o MPES questiona a relação entre o diretor jurídico da Itapemirim, Rômulo Barros Silveira, e Saraiva, já que o segundo já representou o primeiro em ação judicial e seria seu amigo.

Segundo advogado de Camilo Cola, José Carlos Stein, já havia credores denunciando irregularidades como os relatórios malfeitos. “É um apontamento de que judiciário e Ministério Público estão agindo.”

Atual controlador do grupo, Sidnei Piva de Jesus, disse que recebeu com surpresa a decisão de destituir o administrador judicial. “Achamos estranho e recebemos com certa surpresa. Não vamos questionar a decisão do juiz, porque quem deve fazer isso é ele (Saraiva)”.

Dívidas

Com dívidas de R$ 336,49 milhões, além de um passivo tributário de R$ 1 bilhão, o grupo Itapemirim entrou em recuperação judicial em março de 2016.

Administrador judicial

Na época, a empresa Saraiva e Alves Advogados Associados, cujo representante é João Manuel de Souza Saraiva, foi designada administradora judicial.

Venda

No final do mesmo ano, a família Cola resolveu vender o grupo para Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdivia.

Negócio

No negócio firmado, os novos sócios assumiriam todas as dívidas do grupo. Os Cola acusam os novos sócios de não terem honrado o acordo e terem aplicado um golpe. Em dezembro, o juiz Paulino José Lourenço, titular da 13ª Vara Cível, passa o controle societário a Camila e Sidnei.



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