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FAKE NEWS E O EFEITO STREISAND


Diego Libardi

Diego Libardi

Advogado

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  11.março.2019

As fake news, notícias falsas na tradução, lamentavelmente têm sido algo comum na internet. Sua fácil difusão pelas redes vem atingindo patamares inimagináveis.

Esse fenômeno é ainda mais evidente no mundo político, onde comumente, e sem qualquer constrangimento, pessoas/grupos políticos, atentam contra a honra e imagem de determinados candidatos/políticos, com único intuito de beneficiar outros e até mesmo manipular a livre escolha do voto e interferir ilegalmente no resultado final de um pleito eleitoral.

Vimos nas eleições de 2018, uma verdadeira guerra cibernética de informação e contrainformação, promovidas de forma estratégica, pelos simpatizantes e grupos políticos de esquerda e direita. Não houve pudor quando o objetivo era tentar destruir/sufocar o adversário, seja ele quem fosse. E apesar de grande parte da população ainda ser massa de manobra, não há bobos nesta história, é o interesse dos líderes que dita o tom, digo conteúdo das agressões, mentiras e todo tipo de lixo espalhado.

São as fake news, portanto, como modo de censurar a propagação de ações ou credibilidade de algum conteúdo ou alguém.

A tática, apesar de nefasta, tem seus efeitos práticos quando bem executada, mas há um porém, quando alguém se sente incomodado com determinado conteúdo e passa a combatê-lo de algum modo, seja processando judicialmente, disseminando fake news, ou por meio de difamação/calúnia pública, pode se surpreender com o efeito contrário, com o veneno se voltando contra o feiticeiro. Ou seja, ao invés de sufocar o conteúdo, torna o viral, justamente em razão da polêmica e/ou curiosidade criadas.

Isso é o que se chama tecnicamente de efeito streisand, em outras palavras, pode ser considerado efeito reverso. A nomenclatura é uma referência ao caso da cantora estadunidense Barbra Streisand que processou o fotógrafo Kenneth Adelman e o website Pictopia.com por uma foto aérea de sua mansão para uma coleção de 12.000 fotos da costa da Califórnia.

Ela alegou preocupações com sua privacidade. Como resultado do processo, a foto se tornou popular na Internet, gerou curiosidade, polemizou, e teve mais de 420 mil acessos durante o mês seguinte. Todos queriam saber que casa era aquela que não podia ser fotografada. Se Barbra queria privacidade, ganhou o oposto. Mas temos exemplos bem próximos e recentes que obtiveram o mesmo resultado.

Há alguns anos, um ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, processou uma internauta, que publicou comentário duro contra sua pessoa em redes sociais. Ele queria, entre outras coisas, a retirada do conteúdo e a inibição de um novo ato crítico, mas como resultado, viu milhares de pessoas se manifestarem contra ele, em tons ainda mais ácidos, chegando ao ponto de muitos comparecerem a audiência judicial em solidariedade a jovem, ou seja, ele mesmo impulsionou inacreditavelmente a atitude de sua ofensora que queria “censurar”. Todo mundo quis saber o que ela disse de tão grave contra a maior autoridade do município a época.

No último sábado, um prefeito do sul do Estado iniciou uma disputa virtual contra publicação de uma deputada federal que informava a liberação de recursos parlamentares para instalação de leitos de UTI em um hospital local. Além do prefeito, o próprio município, por nota oficial, e dezenas de servidores comissionados, começaram a propagar que a publicação da deputada era mentirosa, e que os recursos para a montagem da tal UTI advinham exclusivamente dos cofres do município. Mas o resultado, foi que após as tentativas de desmenti-la publicamente, a postagem da deputada nas redes atingiu milhares de visualizações. Todos queriam saber o motivo da discórdia, e o porquê do prefeito ao invés de parabenizá-la pela benesse pública para seu próprio município, agressivamente passou a criticá-la.

Ele acabou por experimentar o efeito amargo de seus próprio gestos. Se a intenção era retirar o crédito da ação da deputada, caiu do cavalo, e viu milhares de pessoas, sem qualquer vinculação política, que até então desconheciam o repasse de recursos feitos por ela, passarem a assistir, ao agora polêmico vídeo, e felicitá-la pelas ações. Todos puderam tirar suas próprias conclusões ao ver os equipamentos e os representantes do hospital chancelando as informações veiculadas, mesmo com as fake news que diziam o contrário, rodando por aí. Isso demonstra que a tentativa de sufocar/censurar conteúdo, seja por meio de fake news, ou qualquer outro meio, pode torna-lo polêmico, e ter como resultado o efeito reverso, beneficiando a parte agredida, que ao final acaba agradecendo, em auto e bom som, ao estilo do famoso dito popular de Henry. king, “falem bem ou falem mal, mas falem de mim.”

Dúvidas e sugestões: diego@libardi.adv.br

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