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Estudar (e escrever sobre) marxismo não é crime


José Caldas da Costa

José Caldas da Costa

José Caldas da Costa é jornalista e escritor forjado na observação dos fatos e do mundo ao seu redor, desde a infância nas ruas de pedra e montanhas do Alegre, no Caparaó.Prêmio Vladimir Herzog 2007 - Caparaó, a primeira guerrilha contra a ditadura

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  19.novembro.2018

Acabo de ler "História da Riqueza do Brasil", de a Jorge Caldeira, e estou lendo "Guerras Híbridas - das revoluções coloridas aos golpes", de Andrew Korybko.

Quero pinçar apenas duas aprendizagens dessas leituras.

Caldeira nos mostra como a democracia está na base da cultura brasileira, com a eleição direta de representantes desde o assentamento das primeiras vilas, no século XVI, e, ainda, como o autoritarismo do positivismo sul-riograndense sempre quis aviltar a delicada dama, a democracia.

Quanto a Korybko, é jornalista dedicado a analisar a geopolítica da Eurásia, especialmente a disputa dos Estados Unidos, Rússia e China pelo status de Estado-Centro.

Sua obra, de 2015, foi lançada no Brasil em 2018 pela editora Expressão Popular e é leitura obrigatória para todos os que estão, sinceramente, interessados em geopolítica e não apenas em ser reprodutor de "ideias de consenso" fabricadas via mídias sociais a partir de fora de nosso País, com interesses inconfessáveis (vale para qualquer cor política).

Dito isso, quero demonstrar como se forma um consenso utilizando um simplório exemplo de nossa casa, a indicação do futuro secretário de Educação do Espírito Santo, que, de uma hora para outra, virou um temível comunista comedor de criancinhas como eram as lendas dos tempos da guerra fria.

Foi preciso um pastor com espírito bereano (quem não souber o que isso significa, amplie sua mente e busque na Bíblia dos cristãos o sentido da coisa) para demonstrar que estudar e escrever sobre o marxismo não é crime e nem torna, obrigatoriamente, alguém um temível comunista-stalinista.

Vou reproduzir o texto distribuído pelo líder eclesiástico, cujo caráter íntegro eu conheço há mais de 30 anos.

Fomos contemporâneos da mesma escola de formação teológica Batista nos anos 80, quando ele se formou e ainda era um diligente funcionário da Caixa Econômica Federal. Hoje, Ozenir Correa tem um outro título eclesiástico fruto de suas novas convicções e não por oportunismo ou o que mais se possa alegar: é apóstolo na Igreja Batista Filadélfia, em Vitória.

Sugiro a leitura atenta do que ele escreve sobre o futuro secretário de Educação do ES, vítima de uma campanha sórdida de alguns grupos que me nego a nominar para não dar-lhes palanque (e não adianta querer me julgar por isso...).

"A todos irmãos capixabas. Assim que o futuro governador Renato Casagrande anunciou o Sr. Vitor de Angelo houve um incômodo muito grande numa parte de nossa sociedade que comunga dos valores e princípios cristãos.(Observação minha: não obrigatoriamente) Muitas coisas foram faladas nas redes sociais, fizeram um currículum de esquerda e marxista do futuro secretário, que deixou a todos que liam perplexos.

Diante da situação, fui procurado por muitas pessoas para apresentar minha opinião. Porém, nada disse sem antes conhecer o secretário. Marcamos uma reunião para hoje a tarde numa das salas da Primeira Igreja Batista em Vitória, onde ele é membro há mais de 20 anos, juntamente com sua esposa.

Ali ouvimos o testemunho do pastor Doronésio, que hoje pastoreia a Primeira Igreja Batista de Vitória, sobre a pessoa do Sr. Secretário (nosso irmão em Cristo). O pastor nos apresentou um discípulo que é totalmente ativo na igreja e tem um testemunho de vida exemplar. Também mostrou um homem que buscou obter capacitação de Mestre em São Paulo e Doutor fora do país.

Quando o ouvimos, ficou bem claro que nosso irmão não é filiado a nenhum partido político. Portanto, não defende as bandeiras esquerdistas, conforme fora amplamente divulgado nas redes sociais.

Seus trabalhos publicados foram a título científico e não defesa de alguma ideologia.

Como cristãos sempre oramos para que nossos irmãos ocupassem os sete montes da sociedade e creio que Deus tem nos respondido com uma vice-governadora e um secretário de educação que podem ser como foi Daniel na Babilônia ou José no Egito.

Termino pedindo aos irmãos e a todos capixabas que orem para que façam uma excelente administração. Parabenizo ao nosso governador pela escolha e indicação do nosso irmão Vitor de Ângelo.

Apóstolo Ozenir"

Pronto.

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