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Vou criar um Deus para mim


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  08.setembro.2019

Sempre ouvir falar a seu respeito, embora minha porção católica, por parte de pai, e espírita, pelo lado da mãe , fosse mantida na faixa de gaza de uma pracinha. Justo no meio da missa e do culto, chamada Praça São Sebastião, pouco importava, Kardec tinha o mesmo prestígio num lugar cercado de bancos por onde circulavam os bodinhos.

Na sala lá de casa tinha uma Bíblia sagrada, capa de couro, letras douradas. Tão decorativa que ninguém botava a mão. Ao lado, o Evangelho Segundo o Espiritismo se postava perto dos olhos. E, igualmente,distante das leituras e orações.

Para lá reinar fraternidade e viver em harmonia bastavam os exemplos, nem era preciso folhear suas páginas. Nossa família era de gente simples, humilde, que seguiam preceitos que os apóstolos, comum a todos, descreviam.

Deus foi sempre um mistério na vida da gente. Quando a Rossana me levou a conhecer o Centro Espírita, passei a ouvir histórias do seu filho, dos que o seguiam, daqueles como Gandhi, Francisco de Assis, se aproximaram do que pregara. De Deus mesmo, dito onipotente, onipresente, pouco relataram a respeito.

Desde que ela adoeceu , não dei mais um passo sem ouvir que estava em suas mãos. Ele sabia o que fazer, a quem o fardo conceder. Sem um só filme em que apareça, mesmo na semana Santa,, um desenho, uma ideia que levasse o paraíso como pano de fundo, enfim, não encontrei uma só imagem que pudesse nos debruçar para Lhe pedir ajuda. Como, afinal, seria Deus?

Certa feita, fui ao Sesc assistir uma palestra de um grande poeta. E ele, Ferreira Goulart, disse que quando os homens não conseguem respostas para suas inquietações, criam um Deus para explica-las. Deus, afirmou, é a invenção humana a saciar sua ignorância diante do desconhecido.

E no momento em que o desconhecimento médico esgota o que lhes foi permitido alcançar, e nao jogam a toalha, mas as aquecem a assentar sobre tumores que resistem a tudo que aprenderam, tomo a liberdade de criar um Deus pra mim. Desenha-lo no imaginário e pedir que nos revele a cura deste flagelo que atormenta tanto a vida dos seus filhos. E que não leve a Rossana de mim.

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