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Liberdade, liberdade, abra as contas sobre nós


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  07.fevereiro.2020

Se Cabral, não o que descobriu o Brasil, mas o que abusou dele, vivesse como a maioria dos brasileiros, apenas com o dinheiro contadinho alcançado pelo suor do seu trabalho, estaria milionário. Não de um punhado de dólares, carros, euros ou ouros, mas detentor da fortuna maior que a humanidade alcançou: a liberdade. Sérgio Cabral Filho está condenado pelas próximas três reencarnações (282 anos, cinco meses e três dias de prisão) e pode vir até em uma delas de Bispo Anglicano que será convidado a viver na masmorra.

Sérgio Cabral, que se achou rico acumulando valores que não lhe eram devidos (250 milhões, só no exterior) é jornalista, como eu. Mas na sua desmedida ambição, não quis esperar, como todos nós, acumular os pontos do cartão de crédito para passar o final de semana em Búzios. Bem mais prático foi criar uma caixinha na saúde, outra no transporte, nas fartas obras das Olimpíadas e da Copa do Mundo que o levou direto a andar de bicicleta em Paris.

Ao formar um cartel, corromper, fraudar licitações, chefiar uma organização criminosa que lavava dinheiro, não deu bola para o carnê do INSS. Aposentado, poderia pedir um empréstimo consignado e ir tomar um banho de mar diante do calor deste verão. Guloso, resolveu viver com o dinheiro que não era seu e, desde 16 de novembro de 2016, toma apenas banho de sol. E olha que seu apartamento, no Leblon, fica apenas a 50 metros do mar.

Um dinheiro para ser honrado e chamar de seu. Que seja suado, descontado na fonte, atrasado, não reajustado como deveria, esteja na carteira ou não, venha do seguro desemprego ou mesmo de uma exibição nos sinais, nada como viver na gangorra das ações que o destino coloca no bolso com os valores que fizemos por merecer. Ou não.

A receita de um país mais justo, progressista, que conceda oportunidades iguais para todos é tão simples, e vai pela primeira vez poder pagar aos professores os salários que pagamos aos médicos, que nossos políticos deveriam ser os primeiros a dar o exemplo.

Como publicar na Internet o demonstrativo das suas contas aos seus patrões. Que somos nós, trabalhadores brasileiros, que pagamos seus salários através dos impostos. Mesmo porque não foi o Tribunal de Contas que os elegeu. Fomos nós.

Liberdade, liberdade, abra as contas sobre nós. Qual deles deseja começar?

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