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Quem são mesmos os otários?


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  10.fevereiro.2020

Ontem, domingo, o SporTV exibiu uma matéria bacana sobre os mais famosos tenistas brasileiros. Às vésperas de mais uma edição do OPEN Rio, Maria Esther Bueno, Guga, Meligeni, Thomas Koch, Luiz Mattar, entre outros, eram homenageados diante de um pequeno público. Eles, como César Cielo, Éder Jofre, João do Pulo, Ayrton Senna, Robson Caetano, Mequinho, entre poucos, é que são nossos verdadeiros heróis porque alcançaram o pódio em modalidades esportivas ignoradas pela mídia. São ídolos que venceram nadando contra a correnteza da falta de apoio e atenção.

Como alcançaram notoriedade e captaram patrocínios se das seis páginas do caderno de esporte de O Globo, como o de hoje, segunda-feira, cinco são dedicadas ao futebol? Apenas a última se prestou a falar do judô e da eliminação da seleção brasileira de basquete. E mais nada. Fico a imaginar o tamanho da luta e da obstinação de cada um deles, familiares e Larry Passos incluídos, para alcançar a fama perante tamanho descaso e falta de espaço.

Não é muito diferente no Japão. O Sumô, o Judô e o Beisebol dominam as tais cinco páginas do Sports Nippon e do do Daily Sports. Os heróis de verdade por lá são jogadores de futebol. Como Honda, que sobreviveu a terceira bomba atômica da indiferença e fez carreira brilhante no Spartak, de Moscou, atuou no Milan, da Itália, e ainda defendeu sua seleção na Copa do Mundo de 2010 onde marcou dois gols. Contra Camarões e Dinamarca.

Agora, este heroico desportista que também nadou contra a maré, se apresenta ao Botafogo. Ele merece todo nosso respeito. Respeito que os seu compatriotas reservaram quase como uma reverência e adoração a Ayrton Senna.

Ontem, quando ocupou as Tribunas do Maracanã durante Botafogo x Fluminense, Honda foi saudado por torcedores alvinegros e por um coro que vinha do lado da torcida tricolor. Daí traduziram para ele: “Japonês otário, no Brasil o Botafogo não passa de um bairro!”. Será?

O Botafogo FR ocupou, ao lado do Santos, uma das mais gloriosas páginas da história do nosso futebol arte. Foram os clubes que serviram de base para as seleções que conquistaram o tricampeonato mundial. De seleções e de clubes. E que abriram as portas para todos os outros. O Botafogo é um orgulho do seu bairro e do seu país.

Quanto ao otário, segundo o Aurélio, ele é um cara trouxa, bobo, ingênuo e que é facilmente passado para trás. Segundo a Revista Exame, o PIB japonês do Honda, e também da Yamaha, Suzuki, o que dirá das Kawasaki, é o dobro do nosso (36,927 contra 15,175) seus alunos tem 11,5 anos de escolaridade contra 7,7 dos nossos e a expectativa de vida deles é de 83,5 anos contra 74,5.

Se existe algum otário nesta história, nas tribunas de todas as honras certamente eles, como Honda, não estarão.

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