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Um domingo para ser esquecido


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  17.fevereiro.2020

Gosto tanto de futebol que quando um time joga mais que o Fluminense fico satisfeito com o empate. Porque aprendi a gostar de futebol antes de torcer pelo Fluminense. E foi esta paixão que nos prendeu à televisão num domingo pela manhã diante dos dois times que mais nos encantaram em 2019. Estavam perfilados, diante do hino nacional, o vice campeão mundial de clubes, campeão da Taça Libertadores e o campeão da Copa do Brasil. Era para ser um grande clássico.
Era. Porque se por um lado o Flamengo teve a capacidade de manter seu treinador e elenco, e ainda reforçá-lo com Pedro e Michael, o Atlético deu um passo atrás na sua evolução técnica e tática contratando um treinador conservador. Que colocou um pé no freio dos seus contra ataques. E tratou de horizontalizar o passe do time que mais o verticalizava, e nos encantava, pela sua extrema objetividade.
Falaram que o segredo deles era a grama sintética. Não era. Era o trabalho de um treinador moderno que pode ficar anos à frente do seu elenco e montar um grande time. Um time diferente.
3x0 foi pouco. Tinha que ser mais para que os dirigentes do Atlético não esquecessem esta lição que o Flamengo lhe concedeu dentro e fora do campo. Ao perder seu treinador, Tiago Nunes, ninguém saiu ganhando: ele foi treinar o Corinthians, e vai precisar de anos para implantar suas ideias que os maus resultados e a cobrança absurda que paira sobre o timão não irão permitir, e o Atlético vai patinar em todos os tipos de gramado ao recuar no tempo. E decepcionar aqueles que, como eu, trocaram uma pedalada pelo futebol.
Para mim, foi como a Laranja Mecânica, de Rinus Michels, que encantou o mundo, tenha se tornado Laranja Manual, tocada à manivela após a Copa do Mundo de 1974, ao ser comandada por um Celso Roth. E suas lições de inovações táticas se perdessem para sempre na história do nosso futebol.
E se você gosta de política, foi como se os CIEPS de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, revolucionário por manter o aluno por dois turnos dentro da escola, caíssem nas mãos de um treinador Moreira Franco. Que tratou de fechá-los porquê de tão boa a ideia, esta poderia levar seu autor à presidência da república.
Retranqueiro do progresso e do desenvolvimento do seu país, o gato angorá achou melhor não impregnar saber integral às novas gerações para que elas não entendessem seus direitos. E cruzassem os braços, e não fossem mais às ruas fazer da UNE o que ela sempre foi: um marco em defesa da liberdade de expressão, do culto às odeias de Paulo Freire e da plena democracia na educação.
Moreira Franco, Celso Roth, Dorival Junior. Era muito peso junto para uma só manhã. Porém, o domingo não acabou aí quando observamos o futebol brasileiro, e nosso próprio país, dar exemplos de como dar um passo atrás em seu pleno desenvolvimento: o clássico da tarde foi Boavista x Volta Redonda. E depois do Faustão, quem fechou a programação foi o Big Brother Brasil.
Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai seus terreiros que nós queremos cantar...

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