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O meu álbum de figurinhas


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  26.março.2020

Só mesmo a quarentena, em meio a um tempo poucas vezes nos concedido, para fazer justiça a este time inesquecível. Seja como ex atleta, torcedor ou escritor. Dedicar uma pequena homenagem a equipe que nos deu, durante tanto tempo, orgulho de ser tricolor. Tão constante e certinho, entrosado e vencedor, jamais deixou de ser escalado em nossas lembranças.

Já não era tão menino assim. Treinava nos juvenis quando entravam em campo. Diferente dos atuais times mistos, que não existiam, e escalados com os atletas que pertenciam ao clube com carteira assinada, não aos empresários.

Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi; Cafuringa, Flávio, Samarone e Lula entravam em campo toda quarta e domingo. Em jogos amistosos e oficiais. Durante anos.

Não era um banco de reservas o que os aspirantes a titular frequentava aos poucos. Era um banco de observação, estágio e paciente espera. Para herdar o lugar do Lula, por exemplo, que herdou a camisa 11 depois de um século de Escurinho, tive que esperar dois anos. Era, porque não, um aprendizado.

Como vou escalar o atual time do Fluminense se nem o treinador sabe quem fica ou quem vai ser despachado na próxima janela? Telê Santana durou anos no comando e Zezé Moreira uma eternidade. Pinheiro vinha no comando da base. Sem pressa, acompanhava o Edinho do Mirim até os profissionais. Nada lhe passava despercebido. E nenhum fundamento ou uma cobertura de zaga deixou de lhe ser revelado.

Trocar de time, beijar o escudo, não ao patrocinador, fazer a reverência que o Pedro faz a quem lhe paga, nem aos que deve gratidão, nem pensar. Eu, Toninho e Roberto, que fomos trocados pela vez primeira com Doval, Renato e Rodrigues Neto, em 1976, é que sentimos na pele as consequências de quando o Flu virava Fla. E o Fla virava Flu.

Era bom para todo mundo. O fotógrafo do anual álbum da Panini apenas ia ao clube tirar as fotos, as figurinhas todos os torcedores sabiam de cor e salteado os que iam preenchê-lo. Desde as carimbadas de uma lenda Samarone, à soberania de um Denilson, o Rei Zulú, até as que saiam em todos os pacotinhos, na proporção dos chuveirinhos que o Oliveira abastecia a grande área à espera da cabeçada fulminante do Flávio. O Minuano.

Poucos da foto ainda estão entre nós. Mas todos ficarão para sempre em minha memória. Escalado com os olhos fechados. E com o alma agradecida, o coração iluminado.

Obrigado meus heróis.

O meu álbum de figurinhas

Só mesmo a quarentena, em meio a um tempo poucas vezes nos concedido, para fazer justiça a este time inesquecível. Seja como ex atleta, torcedor ou escritor. Dedicar uma pequena homenagem a equipe que nos deu, durante tanto tempo, orgulho de ser tricolor. Tão constante e certinho, entrosado e vencedor, jamais deixou de ser escalado em nossas lembranças.

Já não era tão menino assim. Treinava nos juvenis quando entravam em campo. Diferente dos atuais times mistos, que não existiam, e escalados com os atletas que pertenciam ao clube com carteira assinada, não aos empresários.

Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi; Cafuringa, Flávio, Samarone e Lula entravam em campo toda quarta e domingo. Em jogos amistosos e oficiais. Durante anos.

Não era um banco de reservas o que os aspirantes a titular frequentava aos poucos. Era um banco de observação, estágio e paciente espera. Para herdar o lugar do Lula, por exemplo, que herdou a camisa 11 depois de um século de Escurinho, tive que esperar dois anos. Era, porque não, um aprendizado.

Como vou escalar o atual time do Fluminense se nem o treinador sabe quem fica ou quem vai ser despachado na próxima janela? Telê Santana durou anos no comando e Zezé Moreira uma eternidade. Pinheiro vinha no comando da base. Sem pressa, acompanhava o Edinho do Mirim até os profissionais. Nada lhe passava despercebido. E nenhum fundamento ou uma cobertura de zaga deixou de lhe ser revelado.

Trocar de time, beijar o escudo, não ao patrocinador, fazer a reverência que o Pedro faz a quem lhe paga, nem aos que deve gratidão, nem pensar. Eu, Toninho e Roberto, que fomos trocados pela vez primeira com Doval, Renato e Rodrigues Neto, em 1976, é que sentimos na pele as consequências de quando o Flu virava Fla. E o Fla virava Flu.

Era bom para todo mundo. O fotógrafo do anual álbum da Panini apenas ia ao clube tirar as fotos, as figurinhas todos os torcedores sabiam de cor e salteado os que iam preenchê-lo. Desde as carimbadas de uma lenda Samarone, à soberania de um Denilson, o Rei Zulú, até as que saiam em todos os pacotinhos, na proporção dos chuveirinhos que o Oliveira abastecia a grande área à espera da cabeçada fulminante do Flávio. O Minuano.

Poucos da foto ainda estão entre nós. Mas todos ficarão para sempre em minha memória. Escalado com os olhos fechados. E com o alma agradecida, o coração iluminado.

Obrigado meus heróis.

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