Folha do ES
Qui, 4 de Jun
HOSPITAL EVANGÉLICO PRONTO ATENDIMENTO

.Home     Colunistas     José Roberto Padilha

As pegadas de um Lobo


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

Ver todos os artigos

  30.março.2020

Durante a quarentena, confesso, dei umas escapadas. Estava tenso e ainda estou, tanto tempo entre paredes e meu corpo clamando por caminhar. Mesmo porque, que aglomeração proibida teria se o percurso fosse realizado no escurinho e por ruas afastadas da minha?

E assim o fiz ao final de duas tardes na semana passada. Saí escapando de gente, diminuindo a passada quando aparecia um sobrevivente e acelerando na resta oposta quando surgia um igualmente. Eram raros seus ocupantes, mas havia uma meia dúzia de resistentes.

De boné, mochila nas costas, calça comprida de tactel, parecia um estudante matando aulas que estavam suspensas. Igual criança disfarçada quando subtrai um pirulito, quase um fora da lei porque o fone de ouvido não deixava a nossa consciência em paz: “Fique em casa! Fique em casa!”. Parecia que aquela mensagem fora gravada especialmente para mim.

Só relaxei quando alcancei a subida da Benjamim Constant, no Cantagalo, porque pelas informações da Hora do Brasil, nosso país acabara de nos colocar em uma faixa de gaza. De conflitos permanentes e de uma paz passageira. Porque se de um lado o governador pedia para todo mundo ficar em casa, o pronunciamento do presidente nos liberava para ocupar às ruas. Naquele momento, alcancei meus habeas corpus. Foi quando passava diante de uma Igreja. Nada acontece por acaso.

Era bonita, imponente, mais do que isto, já aliviada de culpa, minha memória foi capaz de reviver as lembranças de um grande amigo: Walfrides Lobo. Tinha certeza que na pedra fundamental daquela bonita construção tinha suas garras. Impressões digitais que deixou igualmente no carnaval, no futebol, nos conflitos e celebrações sociais onde mais a presença de um repórter dedicado e competente fosse precisa. Por lá estavam, sem dúvida, os rastros de um Lobo em prol do lugar que o acolhia.

Quando nossos amigos se vão, mesmo as pessoas mais próximas e queridas, as esquecemos em certos períodos porque a complicada da vida corrida mal nos permite cuidar das que permaneceram. Porém, cidadãos como ele, Walfrides Lobo, deixam mais que saudades, bem mais do que uma família carregada de valores e princípio éticos. Deixam obras.

As pegadas de um Lobo se juntaram a de muitos abnegados e religiosos do seu bairro, para deixar erguido um símbolo que representa, em cada canto desse mundo, um lugar sagrado em que Jesus plantou princípios inesgotáveis de renovação moral. Legado melhor do que este, meu amigo, só você mesmo deixaria.

Daí fiz um pit stop. Entrei e orei, e agradeci, e pedi desculpas pelo tempo em que fiquei sem lhe render as justas homenagens. As mesmas que Odilon Assumpção, Dr. Lafayette, Neide Helena, Edson Jorge, Josias Maia e o mestre dos mestres, Luis Carlos Silva, entre outros heróis da nossa comunicação, igualmente fizeram por merecer.

Afinal, nosso papel, com microfones ou canetas às mãos, será sempre de procurar fazer justiça através da informação. Como vocês sempre o fizeram.

Saudades, meu amigo.

A imagem pode conter: 1 pessoa, árvore, céu, barba e atividades ao ar livre

Comentários Facebook


Enquete


Você acredita que o Presidente Jair Bolsonaro vencerá a crise entre os Poderes?

  Votar   Ver resultado

Facebook


Newsletter


Inscreva-se no boletim informativo da Folha do ES para obter suas atualizações e novidades semanais diretamente em seu e-mail.

© 2020 Folha do ES. Todos os direitos reservados.