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A cidade das mil e uma orações


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  31.julho.2020

Quando seu Josemo deixou o Vale de Cuiabá, distrito de Petrópolis, no começo dos anos 60, onde ajudava seus pais no armazém São Sebastião, disposto a ganhar a vida e mudar os rumos modestos de todos os seus, encontrou na chegada à Itaipava uma bifurcação. E uma placa que lhe apontava dois caminhos.

Se virasse à esquerda, alcançaria a cidade imperial, coberta de recursos e oportunidades onde poderia ganhar muito dinheiro. Se optasse em virar à direita, encontraria uma Três Rios modesta, sobrevivendo pelo heroísmo dos seus lojistas. Uma cidade quase dormitório a procura da sua verdadeira identidade.

Dois anos antes, o presidente do país, Juscelino Kubistchek, que rumava de carro do Rio de Janeiro para inaugurar sua obra maior, Brasília, parou em nossa cidade e, com um slogan infeliz, quase decretou o nosso fim: “Três Rios, a Esquina do Brasil!”.

E o que é uma cidade esquina senão um Posto Ypiranga de parada, breve descanso e reabastecimento? Como se não bastasse nossa grande estação ferroviária e uma alcunha que também enaltecia a localização, não engrandecia a nossa essência: “Três Rios, o maior entroncamento rodoferroviário do país!”

Uma esquina. Nada mais do que isto, uma parada para perguntas, nos tornaríamos se seu Josemo, guiado por Deus, por aqui não optasse. Por aqui não desembarcasse.

E de um armazém ambulante, conhecido como o “Armazém do Caixote”, um balcão com tampa colocado no corredor de uma galeria, que abria de dia e fechava a noite para receber as primeiras batatas, azeites e bacalhau, se tornou, com talento, trabalho e obstinação, o Rei dos Secos e Molhados.

E em poucos anos ajudou a reverter a nossa história ao trazer o progresso, distribuir empregos, apoiar entidades filantrópicas e beneficentes, clubes sociais, escolas de samba e quem mais precisasse de apoio e patrocínio para se fortalecer por aqui.

Hoje, graças a homens como ele, Josemo Corrêa de Mello, nossa cidade virou o curso de sua história ao se tornar modelo de empreendedorismo nacional. Uma cidade capaz de atrair as maiores empresas do mundo, como a Nestlé, Latapack e GE, ser polo educacional que abriga diversas faculdades federais, particulares e de receber as Lojas Americanas, a Casa & Video, Casas Bahia, Ponto Frio, entre outras.

Tão atraente e cobiçada , fez com que renomados hoteis, como o Íbis e o Intercity, abrissem por aqui sua novas e modernas instalações.

E as esquinas acabaram mesmo ficando para atrás. Ou se fixaram um pouco mais adiante.

Virar à esquerda e cair nas graças de uma cidade resolvida, como Petrópolis, a ponto de ter vários museus a registrar sua importância histórica, seria bem mais fácil. Porém, quando optou por nós, abriu como Moisés as portas do trabalho em meio a um mar de desempregos.

E é por esse cidadão que nossa cidade se une, já há alguns dias, em mil e uma orações para que logo se recupere.

Seu exemplo nos envaidece. Sua humildade nos engrandece. Sua presença nos fortalece.

Força, Josemo!

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