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A ordem dos fatores altera a sentença. E inocenta o amigo


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  25.março.2021

Ontem, quinta, feira, fui visitar em São Bernardo meu amigo Luiz Ignácio. Nos conhecemos em 1988, em cima de um Trio Elétrico na Praça XV, Centro do Rio (foto).

Após a saída das barcas, Vladimir Palmeira, então Deputado Federal, nos apresentou à população: Luiz Ignácio seria candidato a Presidência da República, dois anos depois, e eu candidato a Prefeito de Três Rios, dois meses depois.

Após um breve abraço, sugeri: “Se o problema, amigo, é o Triplex, que dizem ser seu, vim comprá-lo. Se conseguir, Sérgio Moro e a Oitava Turma, com seus três desembargadores, estarão certos. E a gente não perde mais tempo, conclama o Ciro e o Haddad e vamos para às ruas!”.

Luiz Ignácio concordou, afinal, os papéis estariam pela primeira vez invertidos nesta longa polêmica: ele que tentaria provar que o Triplex no Guarujá era seu.

Chegamos ao Cartório de Registro de Imóveis, Tabelionato de Notas, às 10h47, e pedimos a certidão de escritura pública do imóvel. Consultando os arquivos, não estava em seu nome. Mas como, indagamos, o Juiz Sérgio Moro disse que há indícios de que seja dele? E a Tabeliã respondeu: “desde quando indícios são assinaturas? Como posso transferir um imóvel por indícios de um provável dono?”

Insistimos: mas a Oitava Turma, e seus três desembargadores, afirmaram que sua esposa, a Dona Marise, tirou fotos no Triplex? E que há suposições, sérias evidências, de que no acordo de um contrato com a Petrobras a Odebrecht...

Foi aí que a tabeliã, uma senhora cascuda em seu ofício e, pelo visto, apolítica por desconhecer aquele sapo barbudo à sua frente, perdeu a paciência: “Tenho mais o que fazer. Voltem aqui com provas que este imóvel é seu, sua assinatura no contrato de compra, com carimbos, certidões, o diabo. Aí sim transfiro para o seu novo dono!.”

E virou as costas. E carimbou a sentença.

Com um sorriso enigmático, nos despedimos ali mesmo. Voltei para Três Rios sem meu Triplex no Guarujá, mas com a certeza que meu amigo vai mesmo mudar, em breve, de endereço: Vai morar não mais ilegalmente, por indícios, suposições, no Guarujá, como insistem Merval Pereira e a Miriam Leitão, mas quatro anos em Brasília legitimados pelo carimbo democrático do povo brasileiro.

Porque a ordem dos fatores, e das investigações, acabaram de alterar e inocentar de vez o meu amigo.

* Texto postado em 2018. Só agora Sergio Moro é condenado pelo STF e Lula inocentado de todas acusações. A justiça tarda, mas não falha

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