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Uma bomba sobre a outra


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  31.março.2021

Quando o silêncio de um semi lockdown é interrompido, nesta manhã de terça feira, pelo barulho de um avião, ou seria o helicóptero que nos traz uma lembrança saudosa do Josemo, pouco importa agora, nossa porção historiadora ficou a pensar não mais no Covid-19. Mas naqueles japoneses que viviam em paz em Hiroshima uma semana após a rendição alemã na segunda guerra mundial. Eles estavam quietos e ordeiros em seu canto. Como todos nós. E de repente...

Eles moravam a alguns quilômetros de sua capital, Tóquio, como moramos da cidade do Rio de Janeiro. Não eram tão importantes para sua economia, muito menos perigosos ao mundo. Deveriam estar cultivando as suas hortas, cuidando dos filhos, talvez amando, quando...

Não havia o Jornal Nacional para os alertar sobre o perigo que vinha de cima. Um pronunciamento do Imperador para os confundir. E, muito menos, usavam máscaras. E sequer conheciam o álcool gel. Mesmo que usassem tais proteções, nada conteria aquele poderoso vírus que desabou dos céus, inesperadamente, sobre as suas cabeças.

Diferente de nós, cobertos de avisos e recomendações por todos os lados para permanecer isolados e protegidos, foram eliminados de surpresa.

Nem os amigos, a Anvisa, o Datena, muito menos Dr. Drauzio Varella ou o fantástico Tadeu Schimdt divulgaram àquela população a iminente chegada de uma bomba atômica. Muito menos, foi questão de tempo, de alerta ou disseminação daquele vírus letal. Foi questão de segundos.

Daqui a algum tempo, nosso atual momento Coronavírus será contado nos livros. O número de sobreviventes, informados por ritos, e as vítimas, desinformadas por mitos. As vacinas que surgiram, os chineses que sofreram primeiro e deram a volta por cima, os aplausos italianos aos cubanos que chegaram para salvar suas vidas, os aeroportos que abrem e fecham dependendo de quem assinou o decreto primeiro.

Momentos tristes, como o número expressivo de vítimas, e momentos bonitos, de como os profissionais da saúde se superaram e nossos cientistas também, serão registrados e perpetuados.

Porém, nenhum vírus será mais cruel do que o Enola Gay, disparado pelos americanos sobre Hiroshima em 6 e agosto de 1945. Pode fazer nesta segunda feira o silencio que for, ele sempre precederá em nossas páginas e durante as crises, um barulho infernal que um dia arrasou subitamente uma cidade.

100 mil pessoas morreram instantaneamente. E outras 90 mil pela radiação anos depois.

Hoje, há um silêncio respeitoso lá fora. Independentemente do tamanho do vírus que a humanidade enfrenta e dos que já superou, a história jamais se calará diante de um presidente americano, Harry S. Truman, que autorizou que o mais cruel dos vírus tirasse, de uma só vez, a vida de tanta gente.

Melhor aguardar em silêncio e rezar para que a raça humana tome jeito. E se alguma outra barbaridade vir de cima, que pelo menos caia sobre um local distante da nossa realidade. Onde, por exemplo, coabitem não humildes japoneses, mas seres alienígenas, sarados e sem noção, ocupantes de um canal onde chegam todas as informações mas a festa, a orgia, estranhamente, continua. E pior, com a audiência lá em cima.

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