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Um paixão Yesterday


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  19.abril.2021

Carregamos nossos ídolos para sempre, muitas vezes sem explicações, adotados sem alcançarmos os motivos em um período qualquer da nossa existência.

Fluminense, Martinho da Vila, Colégio Entre-Rios, Professor Delfino, Pelé, canhotos argentinos como Conca, Messi, Maradona e Passarela.

Políticos de esquerda como Fidel Castro, Leonel Brizola e Lula. E de centro como Ulisses Guimarães e Vinícius Farah. E The Beatles.

Estou assistindo, nessa sexta, essa obra prima chamada Yesterday. Pela décima vez. O filme que melhor traduziu a paixão que sempre carreguei dos The Beatles.

Comprei na J. Mór seu primeiro compacto, Love Me Do. E daí fiquei esperando todos os seus discos, que foram preenchendo minhas carências afetivas, introduzindo a orquestra filarmônica de Londres em meio às suas guitarras. Musicalmente, avançava junto, entendia todos os acordes sem sequer saber o que Sgt. Peppers e sua Lonely Clube Band diziam.

Yesterday. Era feliz como Today.

Não vivemos sem ídolos. Eles preenchem as colunas que gostaríamos de subir como homem aranha. Voar com a Louis Lane nos braços como Clark Kent. Invadir a grande área no FlaxFlu e, como Assis, vencer Raul que saia em desespero aos 44 minutos do segundo tempo.

Ídolos como João do Pulo, Eder Jofre, Guga, Oscar, Paula e Hortência, Emerson Fittipaldi e Mequinho que fizeram o mundo conhecer o Brasil. Como Ayrton Senna que carregou nossa bandeira com orgulho, não como outro complexado que nos tornava mais um vira latas.

Obrigado, Yesterday. Já assistiram? Tem no Telecine e tem na última locadora do mundo, a do Jânio Quadros, ali na Presidente Vargas.

Passe lá. Antes que Yesterday, seus sonhos, sua trilha musical, seus ídolos, desapareçam até como lembrança neste longa estrada chamada vida.

Moral da história: sem ídolos, não carregamos esperança. De ir além, alcançar alguém, amar aquela morena que daqui a pouco vai surgir brilhando. Para cada Yesterday, um sopro de Today. Porque o Tomorrow, definitivamente, não nos pertence.

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