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A forca


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  29.abril.2021

Essa cena aí, do encontro preciso nas alturas entre o matador e sua arma, dificilmente você verá acontecer junto às novas gerações. Isto porque tiraram dos clubes, principalmente nas divisões de base, na obsessão de alcançar um maior rendimento físico, uma ferramenta essencial no aprimoramento dos fundamentos dos jogadores: a forca.

Era um poste de Madeira que possuía uma bola de futebol presa por uma corda. O preparador físico calculava, de acordo com seu tamanho, uma altura que você poderia alcançar. Não era salto em altura. Era tempo da bola.

Como um pêndalo, um balanço, você ficava a calcular em qual tempo você a alcançaria. Com os treinamentos, encontrávamos o momento certo do cabeceio. Sábios treinadores, como Pinheiro, aproveitavam para introduzir os goleiros para que aprimorassem o tempo de cortar um cruzamento. Nielsen, Roberto, Paulo Sérgio, Paulo Goulart, da nossa geração, foram seus melhores alunos. E essa conquista, como andar de bicicleta e datilografar na máquina de escrever Remington Rand, você jamais esquecerá.

Ninguém ensina jogar futebol. Se alguém ensinasse estaria muito rico porque tem pai que daria o sítio para ver seu filho no Maracanã. Mas aprimorar fundamentos pode.

Quem fica, hoje, no Ninho do Urubu, como Zico, treinando cobranças de falta após os treinos? E cadê o tempo para gravar um comercial para a Adidas? Aí fica o narrador lembrando quando o Diego, de tiara, vai cobrar a sua: a última vez que o Flamengo fez um gol de falta foi contra o Cobreloa...

Tecnologia de ponta, escaltes, aparelhos que marcam passes, gráficos que rastreiam a movimentação, aparelhos de última geração mostrando o ar contido nos pulmões. Mas quando o Egídio vai a linha de fundo e a bola vai até o segundo andar...

Outro Fred?

Vão chegar antes ou depois naquela bola. Para ele, foi como andar de bicicleta de BH até o Rio. Para mim, escritor tricolor, restou buscar nas teclas e descrever momentos mágicos, como de um gênio e seu objeto de desejo se encontrando no ar, que dificilmente assistiremos outra vez.

Obs. Para ser justo, Renato Gaúcho mandou fazer duas para o Grêmio Geromel e Diego Souza melhoraram muito.

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