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A parte mais covarde de sua história


José Roberto Padilha

José Roberto Padilha

José Roberto Padilha, jornalista, cronista, escritor, técnico de futebol e ex-jogador de futebol profissional, com passagens pelo Fluminense, Flamengo e Santa Cruz de Recife.

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  27.junho.2022

Uma pena que o Botafogo, e sua história brilhante em nosso futebol, esteja trocando de símbolos e objetivos. No lugar de seguir o exemplo de seus heróis, que destilavam arte e lutavam por conquistas, como Mané Garrincha, Roberto, Paulo César e Jairzinho, permite que seus novos donos, os que compram a tradição por dinheiro, levem a campo, como ontem, contra o Fluminense, um time covarde e acuado daquele jeito.

Uma atuação que envergonha sua estrela solitária. Uma coisa é recuar, estratégia de jogo. Outra, se acovardar, ter medo de jogar.

Assisto futebol o dia inteiro. De todas e séries e posso afirmar: foi sem precedentes. Até o Altos, do Piauí, enfrentou dentro de casa o poderoso Flamengo, pela Copa do Brasil, sem medo de ser feliz. Com ousadia, abriu a contagem e jogou de igual contra igual.

Mesmo atuando no Engenhão, dentro dos seus domínios, foram 600 passes do Fluminense, contra 130 dos seus jogadores. Duzentos escanteios contra seis. 73% de posse de bola contra quem só queria se livrar dela.

Parecia que o Botafogo não tinha meio campo. Na verdade, parecia mais uma luta de boxe. Evander Holyfield versus um desconhecido peso pena. E todos na sala, no estádio, nos botequins, sabiam que, por mais que se defendesse, circulasse o ringue se esquivando dos golpes para não entrar no Cano, que a qualquer instante um cruzado do Manoel o colocaria a nocaute.

Não deu outra. Aí, cambaleando, final da luta, resolvem sair para o combate. Com as pernas pesadas de correr atrás, com as merecidas vaias daqueles torcedores órfãos de Carlos Roberto, Gérson, Nei Conceição Mendonça e Afonsinho.

Esses, como meu filho, Guilherme, mereciam respeito. Não é uma questão de lutar, porque todo brasileiro, tricolor ou alvinegro, luta todos os dias. Contra o aumento do pão, do arroz e dos combustíveis.

A questão é saber o tamanho da camisa que vestem e entram em campo. E parece, os meninos do Trextor, que mal sabem quem foi o atleta, simbolo do amor à camisa, que deu nome ao seu estádio.

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