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A comunidade dos Hebreus


Mario Eugenio Saturno

Mario Eugenio Saturno

Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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  04.março.2020

Já mostrei em artigo anterior os ensinamentos de Pedro Vasconcellos no livro “Como ler a carta aos Hebreus”, mas o assunto não foi esgotado, por exemplo, como vivia a comunidade? O que motivou o envio da carta a essa comunidade?

Um olhar atento descobrirá que o autor do texto considera muito aquilo que a comunidade está vivendo e sofrendo. E um texto revela isso (Hb 10,32- 39): Seja tornando-vos alvo de toda espécie de opróbrios e humilhações, seja tomando moralmente parte nos sofrimentos daqueles que os tiveram que suportar. Não só vos compadecestes dos encarcerados, mas aceitastes com alegria a confiscação dos vossos bens, pela certeza de possuirdes riquezas muito melhores e imperecíveis.

E, mostra-se que a comunidade viveu uma experiência de sofrimento que fez com que alguns a abandonassem (Hb 10,23-25). A comunidade está enfraquecida, e precisa de leite, alimento das crianças, mas o autor esperava que ela estivesse madura (Hb 5,11-14).

O risco de fraquejar é grande, daí a exortação a que a comunidade olhe para seus primeiros tempos e seja firme como foi no passado. E a perspectiva do martírio não está distante (12,1-7). A comunidade se vê desonrada, envergonhada. Não são mais dignos perante seus conhecidos e vizinhos.

E o que podemos aprender com a humilhação (Hb 13, 15,16): por ele ofereçamos a Deus sem cessar sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome (Os 14,2). Não negligencieis a beneficência e a liberalidade. Estes são sacrifícios que agradam a Deus!

A comunidade também merece elogios: no passado, em momentos de perseguição, ela se mostrou solidária em relação àquelas pessoas que sofreram mais diretamente. Auxiliando as pessoas da comunidade que foram encarceradas, as demais não deixaram de correr riscos, mas deram testemunho claro de que a opção delas era a solidariedade comunitária e não os valores e práticas de quem as perseguia. Estaria falando de novos prisioneiros da comunidade de quem é necessário cuidar agora (Hb 13,3)?

Assim, temos a certeza que existiu uma comunidade que recebeu o texto. O texto de Hebreus não é uma carta, a rigor, nem um tratado doutrinário, nem um escrito que quer entrar em polêmica com outras religiões, nem mesmo com o judaísmo. Também não mostra preocupação com questões de ordem política, social, ou o cotidiano da comunidade.

O que temos então? Vemos no texto que ele se apresenta como uma “palavra de exortação” (Hb 13,22). Esta expressão aparece também em Atos (13,15), quando se faz um convite a Paulo e Barnabé para que dirijam a palavra ao povo reunido na sinagoga de Antioquia da Pisídia. Se tomarmos essa indicação, teríamos em Hebreus uma meditação, talvez uma homilia, já que parece ter sido escrita para ser lida diante da comunidade reunida (Hb 2,5; 5,11; 6,9) e animá-la em seu caminho e testemunho. Isso faz sentido com o conteúdo do escrito.

Para ler bem Hebreus é necessário não esquecer a situação em que se encontravam as pessoas: cárcere, humilhação, vergonha, desânimo. E a comunidade não conseguia entender, assim como nós, muitas vezes. Portanto, Hebreus é um alerta para todos nós.

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