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Tempos de crise


Matheus Rodrigues

Matheus Rodrigues

Matheus Rodrigues Tavares Pereira, formado em Filosofia e Psicologia.

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  02.abril.2019

Vivemos em um mundo de mudanças constantes, sob a ótica de um paradigma essencialmente materialista, que pode ser visto como um reflexo da própria sociedade. Nosso tempo sustenta um processo caótico, no qual diferentes formas de pensar e agir se confrontam na busca pela primazia, enquanto a miséria humana se espalha fazendo cada vez mais vítimas; não se trata apenas da miséria econômica, mas também existencial.

As pessoas sentem-se perdidas sem saber ao certo o que poderia lhes fornecer algum tipo de conforto, caminhando em sentidos contrários, alienadas de uma perspectiva que as projete para uma concepção ideológica própria e autônoma.

Neste cenário é urgente que ocorram mudanças no sentido de resgatar a humanidade para que ela adquira consciência para a compreensão do mundo que nos rodeia. São tempos de crise, e esta crise atual contém uma série de riscos, ao passo em que comporta inúmeras possibilidades.

Devemos, portanto, viver a crise e buscar em nós uma sensibilidade capaz de encontrar no processo de demolição inicial causado por qualquer forma de crise, os subsídios para a sua superação, libertação e desenvolvimento interior.

Falar da crise é de grande importância na tentativa de compreensão de um processo que envolve a deterioração das relações humanas, banalização e desvalorização da vida e mesmo a superficialidade dos vínculos afetivos.

Se trata de uma condição vivida por grande parte da humanidade e grande responsável pelo mal-estar em que vivemos, a partir do momento em que nos acomodamos e não enxergamos que para darmos um sentido à nossa existência, devemos primeiramente ter consciência da crise, de que ela atinge a outras pessoas, mas principalmente, enxergar tal crise como uma possibilidade.

O homem contemporâneo pode ser descrito como portador de saberes diversos, mas de escassa perspectiva humanista, em um mundo onde quase tudo lhe interessa, mas com a mesma superficialidade de seus valores. Nesta concepção, percebemos se tratar de um ser desorientado e perplexo diante das questões de sua existência.

A vida humana em si mesma representa uma constante incompletude, mas a crise de valores desse novo mundo incita a criação de “verdades de encomenda”, relativas às necessidades pragmáticas de um dado contexto, sendo desta forma, isentas de conteúdo e compromisso existencial; as redes sociais, o consumismo desenfreado, a degradação moral, o fundamentalismo concebido como uma obediência sem limites a qualquer conjunto de princípios sem questionamento ético e moral sobre os mesmos, são alguns exemplos.

É impossível considerarmos a nossa sociedade contemporânea na ausência do conceito de crise, seja ela econômica, política, social, cultural.

Em grego, a palavra crise (krisis, krínein) significa a decisão num juízo. Esta definição pode ser ilustrada por diversas situações distintas que obedecem a decisão sobre um “ponto crítico” que altera a ordem das coisas. Neste sentido a decisão sobre uma situação de crise é necessária para que esta seja superada, onde o indivíduo irá direcionar seus atos em conformidade com o novo caminho escolhido. Sendo assim, ela não é indicadora de uma catástrofe irremediável, mas representa um momento crítico onde o indivíduo questiona os valores estabelecidos em seu mundo cultural, sendo necessário a decisão acerca de algo diferente do que era anteriormente estabelecido e valorizado.

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