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As angústias e balanços do ano


Padre Ezequiel Pozzo

Padre Ezequiel Pozzo

Sacerdote do clero secular da Diocese de Caxias do Sul (RS), atuou na paróquia Santa Fé, em Caxias, e no Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Desde 2014, reside no Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias.

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  08.janeiro.2019

O ser humano se confronta sempre com os términos, com os rompimentos e as despedidas. Essas situações provocam sentimentos angustiantes, de superação e também de esperança, que precisam se refazer. O fim de ano também carrega essa marca da angústia, da página escrita e virada e da esperança do novo, que é também recomeço.

Muitas pessoas experimentam o vazio do fim de ano. Ficam angustiadas, por vezes até deprimidas. Alguns não suportam essa época, pois ela nos tira da normalidade do trabalho, das tarefas exigentes, do ritmo diário e nos coloca em contato com outras pessoas, parentes, amigos, sorrisos e rostos que nem sempre se encontraram durante o ano. Muitos experimentam a solidão deste tempo e outros consideram os abraços e as festas uma falsidade.

Todos são convidados a sorrir e se abraçar, porém os sentimentos nem sempre são verdadeiros. Por isso, é importante saber lidar com esse tempo. O fim traz a ideia de luto. É fim de mais um ano. Um ciclo se encerra e naturalmente em nossa mente surge a avaliação, o balanço do que fizemos e o que não fizemos, do que ganhamos e o que perdemos, dos erros e acertos, das metas atingidas e das insatisfações por aquilo que não foi alcançado.

Essa avaliação não é pouco importante. Ela nos recoloca novamente sobre nós mesmos e nos faz termos consciência da vida e o tempo que passa depressa, dos ciclos que encerram, das oportunidades aproveitadas e deixadas, do crescimento que tudo oportunizou.

Pela mídia e pelas redes sociais vemos rostos, sorrisos, abraços, festas, encontros e celebrações. A celebração e o encontro são, sem dúvida alguma, o coroamento das conquistas, mas também a expressão do amor e da amizade que existem, independente daquilo que acontece. É bom encontrar-se, é bom celebrar e partilhar alegrias e também esforços de superação, por aquilo que não foi bom. A vida, como sabemos, é essa composição de muitas coisas. O que não é bom é iludir-se, não encarrar os problemas, não celebrar, não abraçar, não sorrir, não se encontrar e isolar-se em sentimentos de angústia e ingratidão.

Precisamos elaborar os lutos e o fazemos também celebrando. A celebração abre a esperança. A avaliação coloca a vida na balança. A celebração abre as portas do novo e nos recupera no desejo de viver e fazer o melhor. O desejo de prosseguir também nos coloca diante da definição e planejamento de novas metas.

que as mesmas atitudes não produzem resultados diferentes. Todos querem resultados diferentes e melhores, por isso, a necessidade de decisão para fazer melhor, sem adiar as mudanças necessárias. E mudar é fácil? Não é, mas é sempre necessário. Façamos o balanço, vivamos as angústias do luto e a esperança do novo. Tenho certeza de que eu e você faremos o nosso melhor e isso já é a certeza da alegria

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