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A autodescoberta da espiritualidade


Padre Ezequiel Pozzo

Padre Ezequiel Pozzo

Sacerdote do clero secular da Diocese de Caxias do Sul (RS), atuou na paróquia Santa Fé, em Caxias, e no Santuário Diocesano Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Desde 2014, reside no Seminário Nossa Senhora Aparecida, em Caxias.

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  12.fevereiro.2020

Quando falamos da autodescoberta pessoal, mencionamos frequentemente o tema da espiritualidade. Hoje, as pessoas gostam muito de usar esse conceito, a espiritualidade. Porém, usam de um modo não muito rigoroso. Espiritualidade significa para cada pessoa algo diferente e, na verdade, espiritualidade significa viver a partir do espírito. Para os cristãos, é o Espírito Santo que nos penetra e é desta fonte que nós gostaríamos de viver. Hoje, muitas pessoas entendem por espiritualidade, ocupar-se com coisas espirituais, envolver-se com meditação ou frequentar cursos de espiritualidade. Esses são sempre modos concretos de como a espiritualidade pode se expressar.

Muitos, ao buscarem um caminho espiritual, não se sentem compreendidos pelos que estão por perto. Com sua base espiritual, eles incomodam quem está ao seu redor, pois em cada um de nós se encontra essa ânsia mais profunda, qual seja, em última instância, por uma vida a partir de Deus e com Deus. Porém, muitas vezes, nós reprimimos essa ânsia. Quando alguém próximo a nós se põe no caminho da espiritualidade, ele nos lembra dessa vontade, que, por vezes, pode estar reprimida. Nós não queremos assumir a nossa ânsia, o nosso desejo de Deus. Então, corremos o perigo de desvalorizar a busca espiritual do outro. São, sobretudo, as pessoas que se interessam apenas por dinheiro e sucesso, que ridicularizam a espiritualidade dos outros, para fugirem do próprio remorso, pois há nelas uma voz lhes dizendo que a vida não é só dinheiro e sucesso.

Uma pessoa que está buscando viver espiritualmente precisa ter uma grande confiança interior para não se deixar arrastar por essas atitudes depreciativas. Inversamente, há também, sem dúvida, exageros no caminho da espiritualidade. Às vezes, os questionamentos de fora são plenamente justificados. Eles nos advertem para nos perguntarmos se com a nossa caminhada espiritual, nós não estamos fugindo dos desafios do dia a dia. Isso, precisamos nos perguntar. As pessoas precisam se perguntar. Para os antigos monges, o controle da realidade era sempre um critério importante. Se eu me confrontar com a realidade e deixar com que o espírito de Deus penetre nela, então isso é um bom caminho espiritual. Entretanto, se através de minha prática espiritual, eu fugir da responsabilidade na família ou no trabalho, então essa não é a espiritualidade que Jesus nos anunciou. Por isso, caro leitor, a autodescoberta pessoal é também perceber os caminhos que estamos fazendo quando falamos em espiritualidade. Pense nisso!

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