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O segredo da pré-campanha está no almoço de domingo


Pedro Paulo Biccas

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Pedro Paulo Biccas Júnior é ativista político e jornalista

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  08.setembro.2019

Hoje é domingo, pé de cachimbo, já reverberava o cancioneiro popular. Como bom genro, decidi fazer um churrasco de agrado à Dona Ruth, minha sogra.

Bem próximo a nossa casa existe um açougue, tem de tudo lá. Entretanto, ainda assim eu pego o carro e faço questão de atravessar a cidade e buscar os insumos do churrasco lá em outra freguesia.

Gosto de ir no meu amigo ‘Greidson’, aquele que já me recepciona chamando de ‘governador’ como faz à todos clientes. Afirma ele que separou uma peça de carne especialmente pra mim, ao longo desta última semana. Sempre muito cortês pergunta da família e até mesmo se não gostaria de levar um osso de canela pra diversão dos meus cachorros.

Percebem que com a pós-modernidade e o avanço das novas tecnologias, comprar é algo bastante cômodo. Conseguimos adquirir de quase tudo deitado no sofá com um smartphone na palma da mão. No entanto, é o relacionamento que fideliza o consumidor. A maneira como nos relacionamos com quem quer que seja, fidelizará o respectivo posicionamento em nossa mente.

Pois bem, no final de semana passado, comemos uma carne na chapa, em família. Um almoço rápido de domingo. Coisa de poucos minutos do filé na grelha e já estava pronto no prato da cunhada. Este fim-de-semana não, queria mesmo era fazer um churrasco de espeto e carvão mesmo. Aquele que é ritualístico. Quando você tem o ponto certo de posicionar o carvão até que vire brasa. Quando seu sogro dá opinião na forma como a carne vai no espeto e ali, ao redor do braseiro vivo, uma conversa igualmente ardente.

Não é necessário ser sociólogo para perceber a máxima de Bauman (antropólogo polonês): vivemos em tempos líquidos, nada foi feito pra durar. As relações e os relacionamentos são fugazes e efervescentes. Intensos e instantâneos. Não se saboreia mais com devido apreço os momentos e instantes que se vive. Todavia, já damos mostra que é exatamente destes instantes que sentimos falta.

O almoço de hoje foi uma maravilha. Não apenas pelos cortes servidos, outrossim, pelas experiências vividas. O tempo do carvão e da carne nos deu tempo para saber do roteiro cotidiano um do outro. Das dores e alegrias recém vividas, bem como das expectativas e receios do por vir.

Enquanto virava o espeto do medalhão, Dona Ruth me contava de mais um aluno seu que foi campeão. Com o perdão da palavra, “uma puta educadora”. Minha sogra vibrava com a conquista de seu aluno nas olimpíadas de língua portuguesa. A única pressa ali era pro pão de alho, este, assim como também alguns assuntos, devem ser breves e ligeiros senão passam do ponto.

Embora falte ainda pouco mais de um ano, já vivemos um período de tensão pré-eleitoral nos municípios. A pré-campanha está queimando feito brasa nos corredores políticos. São tantos nomes servidos que quase temos uma congestão eleitoral. Até mesmo porque, alguns são bastante indigestos.

O que muitos não perceberam, no entanto, é que assim como o açougue e o churrasco, o comportamento do eleitor está rompendo com paradigmas contemporâneos. Embora esteja em uma sociedade frenética e voraz, o consumidor final do produto eleitoral deseja saborear com gosto o cardápio que lhe é posto á mesa. Poucos são os que se contentam com um fast food de candidatos. Um nome, um número e uma decisão não formam um processo instantâneo mais para a maioria.

É preciso ritualizar uma pré-campanha e investir tempo com o eleitorado para alcançar dele o tão almejado sufrágio. Repito: aqueles que não ritualizarem o contexto de suas abordagens ficarão para trás! Passar pela rua apertando a mão e fazendo selfie já é um prato frio na churrascaria.

“Nunca se vence uma guerra lutando sozinho Cê sabe que a gente precisa entrar em contato com toda essa força contida e que vive guardada O eco de suas palavras não repercutem em nada" Porque os sinos dobram – Raul Seixas

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