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Muitos apriscos, um rebanho e um pastor


Usiel Carneiro de Souza

Usiel Carneiro de Souza

Usiel Carneiro de Souza Teólogo e Administrador de Empresas

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  02.dezembro.2020

Jesus caminhou proximamente com 12 homens, dos quais, um se perdeu. Eram 12 homens diferentes e que tiveram muita dificuldade em compreender o ensino do Mestre. Estavam sempre preocupados sobre quem deles era o mais importante e sonhavam com a tomada do poder pelo poder pelo rabino que acalmava o mar e multiplicava pães. E cada um deles poderia, então, assumir uma posição de poder e influência. Eles pensavam ser os únicos. Certa vez proibiram alguns que estavam agindo em nome de Jesus, porque não eram do grupo deles. A resposta que tiveram do Mestre foi: “Não os impeçam, pois quem não é contra vocês, é a favor de vocês” (Lc 9.50).

O Reino de Deus não é do tamanho que nos agrada e nem poderemos dominar o acesso a ele. Os discípulos, se tivessem uma visão mais clara de si mesmos, se “se enxergassem” como costumamos dizer, teriam concluído isso com mais rapidez. Se tivessem desde o início compreendido que haviam sido escolhidos pela graça amorosa e não pelo mérito, mesmo não podendo dimensionar o Reino, não lhe colocariam limites segundo seus próprios corações. Somos herdeiros da fé que eles aprenderam com Jesus. Somos herdeiros também, infelizmente, de suas limitações e perspectivas reduzidas da graça de Deus. Não porque tenham nos ensinado isso, mas porque essas questões são muito humanas. Naturalmente brotam em nós.

Os caminhos da graça são estranhos à nossa lógica. A graça nos deixa sem poder, sem reivindicações a fazer. Ela nos proíbe o orgulho e a pretensão de sermos melhores, maiores ou mais dignos. Como um detergente age sobre a gordura, a graça atinge o âmago das pretensões humanas. Jesus tinha outras ovelhas que não eram daquele seu aprisco com os 12. Pedro conheceu uma delas: Cornélio, um centurião romano, numa experiência que serviu para quebrar um pouco de seu orgulho judaico (At 10). Jesus tinha muitas outras ovelhas. Nós estamos entre estas muitas outras e há muitas outras ainda. Jesus tem muitos apriscos e um dia, desarmados de nosso orgulho religioso pela revelação da presença de único e supremo Pastor, seremos um só rebanho.

Jesus disse algo interessante: “É necessário que eu as conduza também”. Sim, Jesus está se manifestando e conduzindo suas ovelhas de muitas formas e em muitos lugares. São ovelhas diferentes umas das outras e, por essas diferenças, nem sempre se reconhecem, pensando que todas as ovelhas de Jesus deveriam ser iguais. E cada uma costuma pensar em si mesma como o padrão. Mas todas têm algo em comum que facilmente perdem de vista: foram alvos da graça. Então, que a graça que nos fez ovelhas do aprisco de Jesus prevaleça em nossas vidas. Que o amor que nos alcançou nos domine. Que deixemos a graça nos surpreender e o Reino de Deus se manifestar. Afinal, o Pastor, o único e verdadeiro Pastor, sabe bem como conduzir suas ovelhas!

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