A tentativa de homicídio envolvendo o advogado Anderson Zucoloto e o personal trainer Eduardo Manzoli Soares, em Vargem Alta, no Sul do Espírito Santo, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. O caso ocorreu no dia 4 de março e mobilizou a polícia após um confronto que terminou com disparos de arma de fogo em frente à residência do advogado.
Desde então, a investigação passou a analisar não apenas o momento do confronto, mas também os acontecimentos que antecederam o episódio. A defesa de Anderson, advogado Gezio Zucoloto Mozer, afirma que há indícios de participação de um assessor do Ministério Público na dinâmica do caso.
Segundo os advogados, elementos como deslocamentos, contatos prévios e registros em vídeo podem ajudar a esclarecer se houve articulação prévia para o ataque. Gesio atua em conhunto com o advogado Frederico Rodrigues Silva, defendendo a mesma tese.

ENTREVISTA COM GEZIO MOZER:
1 – O que motivou a tentativa de homicídio contra seu cliente?
O motivo ainda está sendo investigado, pois não havia animosidade conhecida entre Anderson Zucoloto e o personal Eduardo Manzoli. No entanto, há indícios de que pode ter ocorrido uma articulação envolvendo o personal e um assessor do Ministério Público.
Segundo a defesa, Eduardo abordou Anderson em frente à casa dele. Os dois se cumprimentaram, conversaram e, em determinado momento, o personal sacou uma arma.
Houve luta corporal e os disparos ocorreram durante o confronto, em situação de legítima defesa. A investigação agora busca esclarecer se o encontro foi casual ou se houve algum tipo de planejamento prévio.
2 – Qual a linha de defesa mais plausível para o caso?
A defesa do advogado Anderson busca esclarecer o motivo do atentado e responsabilizar todos os envolvidos.
Neste momento, o foco é colaborar com a investigação para reconstruir toda a sequência dos fatos. Isso inclui análise de comunicações telefônicas, deslocamentos e outros elementos que possam explicar como Eduardo chegou ao local e como ocorreu o episódio.
3 – Do que foi divulgado pela imprensa, o que está incorreto em relação aos fatos?
Segundo a defesa, parte da cobertura inicial apresentou uma narrativa incompleta. Muitas reportagens focaram apenas no confronto entre Anderson e Eduardo, sem abordar outros elementos relevantes.
Um dos pontos levantados é que o personal teria sido buscado em outro distrito por um assessor do Ministério Público de Vargem Alta. O assessor saiu de Jaciguá, foi até Taquarussu para buscar Eduardo e permaneceu nas proximidades do local.
Após o confronto, ele teria chegado rapidamente ao local e levado o personal embora, sem acionar o SAMU ou a polícia. Além disso, imagens indicariam que o veículo entrou na via em contramão e com os faróis apagados.
Outro ponto citado é o desaparecimento do celular de Eduardo, que estava em sua mão ao entrar no carro e não foi encontrado posteriormente. Para a defesa, o aparelho pode conter informações importantes para esclarecer o caso.
4 – Como o senhor tipifica o caso e como se daria a qualificação de cada personagem?
Para a defesa, Anderson Zucoloto é a vítima de uma tentativa de homicídio e teria agido em legítima defesa.
O personal Eduardo Manzoli seria o autor da execução, enquanto o assessor do Ministério Público teria participado do planejamento, do transporte até o local e da retirada do personal após o episódio.
No entanto, a defesa ressalta que o inquérito ainda está em fase inicial e que a tipificação final dependerá do avanço das investigações e da análise completa dos fatos.
