Renata de Moraes Pessoa, paraibana, conhecida como Renata Peron, compartilhou sua história de vida marcada por desafios e superação em uma entrevista à Agência Aids. Mulher trans e nordestina, Renata é cantora, atriz, assistente social e uma ativista histórica pela causa trans.

Aos sete anos, após a morte da mãe, Renata enfrentou dificuldades e violências, sendo expulsa de casa pelo pai por ser "filho viado". Sua trajetória inclui passagens por diferentes cidades do Nordeste, até se estabelecer em Juazeiro da Bahia, onde enfrentou o preconceito familiar e social.

“Eu sou paraibana, nasci em João Pessoa, saí da Paraíba e fui morar em Missão Velha, com a minha avó e minha mãe. Minha mãe faleceu quando eu tinha sete anos de idade, ela teve depressão pós-parto e tocou fogo no próprio corpo. Com a morte dela, eu fiquei saracoteando entre Missão Velha, no Ceará, Crato, Guatu e Juazeiro", disse.

Representatividade foi fundamental para Renata, que encontrou inspiração em figuras como Rogéria e Roberta Close, ícones da televisão brasileira. Aos 17 anos, já se identificava como uma mulher transexual, mas foi somente aos 27 que se mudou para São Paulo, buscando viver e expressar livremente sua identidade de gênero.

Além de suas atividades artísticas, Renata se dedica à militância, destacando-se pela criação da Caminhada Trans em São Paulo e pela fundação da ONG CAES, que visa apoiar travestis e transexuais. Sua incursão na política, como candidata a deputada federal pelo PSOL, reflete seu compromisso em garantir a inclusão e representatividade da comunidade trans.

Renata não esconde as dificuldades enfrentadas, inclusive uma agressão que a levou a perder um rim. Porém, essa violência a impulsionou a lutar por seus direitos e pela visibilidade da população trans. Ainda que tenha enfrentado obstáculos, sua determinação a levou a ocupar espaços importantes na sociedade, como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Ao discutir a violência e a transfobia, Renata destaca que, apesar dos avanços, a garantia de direitos para a comunidade LGBTQIAPN+ ainda é um processo em desenvolvimento no Brasil. Sua luta incansável é por um futuro onde a visibilidade e os direitos da comunidade trans sejam integrados socialmente de forma natural.

Com o lançamento de seu livro autobiográfico, "Bendita Sois Entre as Mulheres", Renata espera não apenas contar sua história, mas também inspirar outras pessoas e contribuir para uma sociedade mais inclusiva e respeitosa com a diversidade.