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Além da Argentina, real ganha poder de compra em outros países da América Latina

Além da Argentina, real ganha poder de compra em outros países da América Latina

Segundo dados do site Decolar, cidades como Buenos Aires e Bariloche (Argentina), Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Lima (Peru) estão, desde o início do ano, entre os destinos internacionais mais buscados por turistas do Brasil.

  Por Redação

  25.julho.2022 às 09:02

A desvalorização do peso argentino transformou o país vizinho em destino vantajoso para turistas brasileiros. Mas o ganho de poder de compra do real não é um caso isolado, já que a combinação de fatores econômicos externos e crises políticas domésticas têm pressionado a cotação de outras moedas latino-americanas ante não apenas o dólar, mas o real - o que ajuda a vida de quem está planejando viajar para determinados destinos da América Latina.

Segundo dados do site Decolar, cidades como Buenos Aires e Bariloche (Argentina), Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Lima (Peru) estão, desde o início do ano, entre os destinos internacionais mais buscados por turistas do Brasil. A escolha coincide com a lista de países cujas moedas se desvalorizaram mais perante o dólar do que o real.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, no último ano o real teve melhor desempenho ante o dólar do que os pesos mexicano, chileno e colombiano, por exemplo. Para o economista da XP Francisco Nobre, a alta nos preços das commodities também pressiona as moedas sul-americanas, por causa da dependência dos países aos produtos que são negociados em dólar.

No entanto, se o câmbio das moedas latino-americanas varia bastante, como fazer as contas para saber se vale a pena ir para determinado país? Segundo o educador financeiro do banco C6, Liao Yu Chieh, a resposta é: precisa pesquisar os preços de restaurantes, atrações turísticas e itens de alimentação nos supermercados.

Tudo isso ajuda a entender não só a conversão, mas quanto o real compra em cada destino. "O melhor jeito de aproveitar o momento de desvalorização das moedas é estudando o custo de vida do país e montar um roteiro", diz Chieh.

ÍNDICE BIG MAC. Um indexador econômico que pode facilitar a tarefa é o "índice Big Mac", criado pela revista americana The Economist em 1986. O guia analisa o preço do sanduíche da rede de fast-food em diferentes países em relação ao dólar americano. "Esse índice tem limitações, mas é um jeito fácil de comparar o custo de vida em diferentes países", diz Nobre.

Segundo o levantamento, em dezembro de 2021, o preço médio de um Big Mac no Brasil era de R$ 22,90. Na cotação da época, o valor do lanche nos EUA seria de R$ 30,85 para um brasileiro, com uma redução no poder de compra de 25,77%. Pela variação atual do câmbio, essa defasagem sobe para 27,95%, com o sanduíche a R$ 31,78.

O Estadão levou o índice Big Mac em conta para analisar o poder de compra do real em 11 países (os EUA e dez latino-americanos). De acordo com o índice, o real tem poder de compra superior ao praticado em nove desses destinos.

Na cotação atual, o desempenho mais forte do dinheiro brasileiro se dá perante o peso colombiano - 1 peso colombiano equivale a R$ 0,0012. No caso da Argentina, principal destino internacional dos brasileiros, o peso se desvalorizou 22% ante o real e 23% perante o dólar americano em um ano.

Dos países da América Latina analisados pela The Economist, o real só tem poder de compra inferior ao do peso do Uruguai. Atualmente, o sanduíche tradicional do McDonald?s sairia a R$ 30,82 no país, ou 25,7% a mais do que por aqui.

PLANEJAMENTO. Se a diferença cambial traz ganhos ao poder aquisitivo do real, a falta de planejamento na hora da conversão pode minar essa diferença e até deixar o brasileiro no prejuízo. O especialista do C6 lembra que em viagens internacionais é importante estar atento às taxas de conversão de moeda e de uso do cartão de crédito. "No Brasil, o custo para moedas estrangeiras é alto. Então, o viajante precisa estar atento à sua necessidade", afirma.

Outra dica do educador financeiro é a aquisição de dólares, em vez de pesos (de qualquer país). "Chegando ao destino você converte para o dinheiro local, mas vários países aceitam pagamentos feitos com moeda americana", afirma.

PREPARE-SE

Atenção à conversão

O câmbio das moedas latino-americanas varia muito, e é necessário fazer bem as contas para saber qual é o país mais vantajoso em poder de compra.

Dólares

Uma dica é o turista se preparar comprando dólares aos poucos, em vez de pesos (de qualquer país). De acordo com o especialista Liao Yu Chieh, do banco C6, além da conversão vantajosa, parte dos estabelecimentos costuma aceitar a moeda dos EUA.

Moeda fraca na mão

Como as moedas de vários países da América Latina estão se desvalorizando, a compra da moeda local apenas no destino evita que o consumidor tenha prejuízo ao ficar com ?sobras? de moeda fraca nas mãos; já o dólar sempre pode ser usado em uma próxima viagem.

Susto

Segundo especialistas, uma armadilha pode ser a falta de atenção às taxas de conversão de moeda estrangeira. É preciso atenção ao utilizar o cartão de crédito, que automaticamente embute uma taxa de 6%, além do IOF.

Além do Big Mac

Outra dica importante é entender não só a taxa de conversão da moeda, mas quanto o real vale na prática no destino escolhido. Especialistas em finanças pessoais sugerem que o turista pesquise temas como preços de restaurantes, de atrações turísticas e da comida nos supermercados.


Fonte: minuto a minuto

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