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Diferença gritante de preços nos bairros da Grande Vitória

Diferença gritante de preços nos bairros da Grande Vitória

  Por Cássio Simão

  24.outubro.2020 às 18:52

É comum encontrar, na Grande Vitória, valores completamente diferentes para o mesmo produto ou serviço, dependendo da localidade. Por exemplo, em um salão na Praia do Canto, o preço pode ser dobro cobrado no Itararé. A pergunta é: a qualidade de um serviço é superior ao outro?

Por esse motivo, especialistas convidam a pesquisar preços e conhecer diferentes serviços oferecidos fora da zona de conforto. Mas a farmacêutica Dayane Barbosa Gouvêa, 29, confessa que a comodidade é essencial na hora de procurar um serviço.

“É muito grande a diferença de preços, principalmente em salões de bairro. Imagino que isso aconteça justamente pela comodidade. Para mim, é muito mais fácil procurar um serviço dentro do meu bairro, próximo de casa, porém, o valor é muito mais alto. Chega a ser o dobro”, aponta.

Segundo ela, no salão perto de casa, na Praia do Canto, a aplicação da unha de fibra de vidro custa R$ 170. Sendo que próximo ao trabalho de Dayane, em Itararé, o mesmo serviço custa R$ 90. “Vejo que a precificação é muito mais ligada ao conforto do que ao serviço em si. Enquanto cliente, percebo que a qualidade é a mesma, só muda o preço”, explica.

A aposentada Léa Miranda, 84, já se deparou com preços abusivos por se tratar de um bairro considerado área nobre. Moradora da Praia da Costa, em Vila Velha, ela precisa se impor para pagar pelo preço que acha justo. “Uma vez precisei reformar o meu sofá. Quando me mandaram o orçamento, era de R$ 2.500. Achei o valor muito alto, e, ao procurar outro serviço, já avisei que não pagaria a mais por ser moradora da Praia da Costa. Desta forma, o valor enviado para o orçamento foi de R$ 1.400 e ainda ganhamos almofadas para o sofá, de cortesia. É muita diferença apenas pela localização”.

Essa diferenciação nos preços é livre para o comerciante. É o que afirma o economista e especialista em educação financeira, Mário Vasconcelos. “A precificação depende dos custos, aluguel, qualidade do serviço, mas principalmente,do poder de compra dos clientes”.

De acordo com o economista, basicamente, paga quem pode. “A pessoa coloca o valor que o cliente vai pagar. Por exemplo, a mesma marca que tem uma loja na Glória, terá um valor mais alto doa produtos com a loja do shopping”.

Segundo ele, esse é o jogo do mercado. “O conjunto de fatores orienta o empresário a forma de precificar os produtos. Se a loja de um bairro popular cobrar o mesmo que valor que uma de bairro nobre, não encontra cliente”.

Porém, não é regra que o serviço mais caro tenha melhor qualidade. Por isso, a principal recomendação do economista é que seja feita uma pesquisa. “Desta forma, descobrimos produtos e serviços incríveis fora da nossa zona de conforto. Por exemplo, na Ilha das Caieiras, que não é um bairro nobre, mas as pessoas saem do seu conforto para ir até um local que oferece comida de tradição e qualidade”.

As principais recomendações do economista na hora de procurar um serviço ou produto são as avaliações, recomendações de pessoas de confiança e pesquisa através da internet e redes sociais. “A pesquisa é fundamental para uma boa compra. Um exemplo disso foi o que aconteceu comigo, no início da pandemia. Fiz uma compra online e não pesquisei direito. O produto não foi entregue e tomei prejuízo, mas o erro foi meu, em primeiro lugar, por não ter pesquisado sobre a empresa. Fica o meu erro de exemplo”.

Aumentar competitividade

O sociólogo Leonardo Luiz, 30, explica que essa precificação por localidade é uma prática, acima de tudo, excludente. “É comum, além dessas cobranças muito acima do valor, a prática do serviço ‘vip’, com o objetivo de ser inacessível, ter um privilégio acima de outros”.

Um exemplo disso foi vivido por ele, quando trabalhou em uma loja. “Uma camisa feita pelo mesmo material, com o mesmo custo da malha, oferecia estampas diferentes em modelos populares. O produto com a mesma qualidade na versão popular tinha o custo de R$ 40. Já a ‘vip’ era vendida por R$ 90”.

Para ele, isso é feito, justamente, para diferenciar um público do outro. “A pessoa que compra a camisa de R$ 90, não compra a versão popular. As pessoas de bairros nobres compram esse tipo de produto para diferenciar dos outros. Isso acontece também em congressos, shows, tudo com a ideia de exclusividade”.

Para o sociólogo, a melhor forma de garantir que o cliente pague um valor justo pelo produto é aumentando os acessos. “É preciso aumentar a competitividade do mercado, levar as pessoas para a periferia e levar a periferia para os centros. E, para isso, é preciso incentivo, oferecer oportunidades iguais, para que o empreendedor alcance mais pessoas”.

Dessa forma, aumentando a competitividade, o mercado deverá adaptar seus preços. “Há muito serviço de qualidade onde as pessoas não tem acesso a esses produtos. Ao invés da periferia ter que se adaptar com promoções, levar a economia para circular em todos os lugares”.

Um exemplo é a viagem de avião. De acordo com Leonardo Luiz, há alguns anos. o avião era considerado um sinônimo de riqueza. “Hoje, aumentando os acessos, é possível encontrar voos populares, pois o mercado precisou adequar-se à ocupação desses espaços. Claro que, dentro desses mercados, cresceram as ofertas dos serviços exclusivos para a classe alta. Mas acredito que essa é uma manobra inteligente das empresas se adaptarem a todo tipo de público”.


Fonte: Es Hoje

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