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Desafios ambientais dos novos gestores

Desafios ambientais dos novos gestores

Por Diego Libardi

  Por Diego Libardi

  04.janeiro.2021 às 17:24Atualizado em 04.janeiro.2021 às 18:59

A cada dia nossos recursos naturais de modo geral estão mais escassos. Sofremos pelas décadas de exploração descontrolada, ausência de fiscalização e de planejamento ambiental.

Nas cidades a poluição dos rios e córregos saltam aos olhos, em virtude da baixa cobertura do saneamento básico. A pressão para ocupação irregular do solo degrada o ambiente e aumenta a indisponibilidade de áreas verdes.

Especialmente na Grande Vitória, temos o pó preto.

Na zona rural do espírito santo, o cultivo do café não só levou ao desmatamento de grandes áreas, como também ao empobrecimento do solo, que hoje, dada a infertilidade, transformou-se em pasto para animais, e com isso temos mais de 600 mil hectares de terras degradadas. E assim, no período chuvoso a água não se infiltra e, portanto, não abastece os lençóis freáticos, gerando um círculo vicioso de diminuição da produção de água, que afeta sistematicamente o abastecimento nas cidades.

Por outro lado, apesar da gravidade do cenário ambiental, a burocracia e lentidão dos processos de licenciamentos é o grande entrave para a melhoria da capacidade de desenvolvimento sustentável.

Enfim, esses são apenas alguns exemplos de problemas que serão enfrentados pelos novos gestores municipais.

E essa missão, por certo deve ser compartilhada. O meio ambiente é de todos, e, todos devem atuar pela sua preservação. É um bem comum. Há, portanto, a necessidade de atuação integrada dos entes da federação. As secretarias municipais não possuem, salvo raríssimas exceções, corpo técnico suficiente para dar vazão aos problemas ambientais, por isso, o intercâmbio com os órgãos estaduais, (IEMA, POLÍCIA AMBIENTAL, IDAF, SEAMA) e federais (IBAMA, MMA) são fundamentais para atuação regular.

O setor empresarial deve deixar de ser tratado como um inimigo, para se tornar um aliado na batalha pela recuperação ambiental. As empresas podem, de forma valorosa, contribuir para compensar a poluição. Para isso, é preciso que os órgãos ambientais, tenham equilíbrio. Não se omitam nem se excedam. Ademais, a própria iniciativa privada tem atuado de forma estratégica para maximizar a capacidade de investimento em ações ambientais. O programa de parcerias-público privadas (PPP´s), se bem gerido/fiscalizado pode ser considerado um avanço em relação a atuação exclusiva do governo, como as PPP´s do saneamento e o Programa de Concessão de parques e áreas verdes do Governo Federal.

Tem função fundamental ainda, a própria sociedade civil organizada como ONG´s, Associações, Igrejas, e cada um de nós. Os governos sozinhos não conseguirão mudar o cenário, é preciso de participação popular, mas para isso, também é necessário um grande trabalho de conscientização.

Já avançamos, mas ainda é preciso evoluir muito, sobretudo com as comunidades mais carentes. É fundamental convencer que o meio ambiente tem mais valor quando preservado. Sim, enquanto nossa população precisar utilizar recursos naturais para sua sobrevivência, a natureza será afetada. Há uma equação econômica-social que precisa ser encarada/debatida pelos governos. Não basta apenas fiscalizar/punir, é preciso criar alternativas.

Um bom exemplo disso, é o turismo de observação de baleias na Grande Vitória, atração ainda desconhecida por grande parte da população, mas que foi capaz de gerar renda para muitos profissionais, melhorar a conscientização, e atuar de forma decisiva para a conservação da espécie. Em 1980, havia apenas 500 exemplares da espécie, o que motivou a proibição definitiva da caça. Após quase 30 anos não sendo perturbada, ela voltou a se recompor: já estava em 9 mil indivíduos em 2008 e agora próxima de 20 mil.

Outro ponto relevante, é o planejamento das ações que devem ser executadas em curto, médio e principalmente a longo prazo. O passivo ambiental, dada a complexidade, o valor dos investimentos e o próprio tempo de regeneração não será resolvido a curto prazo apenas. Por isso, ações visando resultados projetados para 10, 20, 50 ou 100 anos precisam começar agora. Carecemos de metas mais ambiciosas. Os órgãos ambientais municipais, em suma, ainda atuam apenas no curto prazo, quando muito, pelo tempo de um mandato.

E esse é um dos aspectos mais relevantes a serem debatidos.

Além disso, para enfrentar os desafios ambientais do mundo atual, a utilização da tecnologia vem se tornando fundamental. Seja por meio da informatização, de novos aplicativos, uso de drones e satélites, entre outros, são fundamentais para otimizar e minimizar custos dos trabalhos melhorando de forma consistente a produtividade. Existem múltiplas ferramentas para cada questão ambiental.

Destaco ainda, a necessidade de implementação de uma agenda verde efetiva, por meio de programas que gerem resultados ambientais na prática. Existem diversas particularidades que merecem tratamento adequado, mas é necessário vontade de fazer.

Enfim, existem muitos outros desafios, porém para qualquer um deles, será necessário entender que a sociedade atual, cada vez mais, deseja viver em uma cidade com qualidade ambiental, mas para isso será necessário tirar os órgãos ambientais da periferia da gestão pública para o protagonismo que merecem.


Fonte: Diego Libardi

 

Desafios ambientais para os novos prefeitos, por Diego Libardi

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