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Dono de agência é condenado a 19 anos de prisão por estupros de modelos

Dono de agência é condenado a 19 anos de prisão por estupros de modelos

Moacir Pereira Junior, dono da agência localizada em Vila Velha, foi acusado por seis modelos de cometer abusos durante o período em que elas trabalhavam com ele, entre 2013 e 2017

  Por João Machado

  12.maio.2020 às 15:03Atualizado em 12.maio.2020 às 16:33

A Justiça condenou a 19 anos e quatro meses de prisão o dono da agência de modelos Ego MGTM, localizada em Vila Velha, na Grande Vitória, pelo crime de estupro de vulnerável. Moacir Pereira Junior, de 31 anos, foi acusado de estupro por seis modelos que trabalharam com ele entre os anos de 2013 e 2017. Na época, todas eram menores.

Moacir está preso desde outubro do ano passado na Penitenciária Estadual de Vila Velha. Na ocasião, um mandado de prisão preventiva foi expedido contra ele. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo, Moacir aproveitou-se de sua autoridade e de sua influência enquanto agenciador de modelos para "praticar atos libidinosos com as adolescentes mediante fraude, violência e constrangimento".

Além do próprio depoimento detalhado das vítimas do empresário, o MPES também aponta que foram encontradas nos equipamentos eletrônicos do agenciador "imagens de menores de idade praticando sexo oral e em poses eróticas, havendo, ainda fotos de nudez".

A sentença de condenação de Moacir foi proferida este mês pela 3ª Vara Criminal de Vila Velha. A pena foi alta tendo em vista que o crime de estupro de vulnerável foi cometido continuadamente.

Para a mãe de uma das vítimas, de 14 anos, a condenação do agenciador representa um alívio.

"Ele começou a fazer fotos normais e em seguida chegou a oferecer álcool para ela, mas ela recusou, falou que não bebia. E até hoje ela não bebe. Depois, ele perguntou se ela tinha algum segredo, algo que não contava para os pais e ela disse que não, que era uma criança", contou a mãe.

A partir daí, as investidas do empresário começaram a ser mais incisivas, relata a mãe.

"Ele falou que para ser modelo era não podia ter vergonha, tinha que perder a timidez. Convenceu ela a tirar a parte de cima da roupa e a fotografar. Depois a convenceu a fazer fotos tapando só os seios. Ele chegou a pedir que ela o tocasse. Ela falou que iria ligar para mim e depois ele levou a mão dela para o pênis dele", lembra.

Apesar de notar o comportamento estranho da filha, a mãe só soube do relato completo quando foi até a Delegacia de Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (DPCA). Lá, ela diz ter descoberto que as fotos de algumas meninas haviam sido colocadas em sites de prostituição.

O relato de sua filha apresenta semelhança com o de outras meninas ouvidas no processo. Com algumas, no entanto, os abusos chegaram a ser mais extensos, havendo pratica de sexo oral e conjunção carnal.

Na época em que Moacir foi preso, a mãe de outra vítima relatou que a filha chegou a pensar em suicídio em função dos abusos.

A ex-assistente de Moacir, que mantém contato com as vítimas e chegou a auxiliar a polícia a encontrar provas contra o empresário, considera justa sua condenação.

"Eu tenho contato com as meninas e elas me falam que podem haver mais vítimas, mas elas não quiseram denunciar por medo dos pais descobrirem e por medo de atrapalhar a carreira. Ele se aproveitou do sonho dessas meninas", disse ela, que também prefere não ser identificada.

O advogado de Moacir Pereira Junior, Daniel Leal, confirmou a sentença de condenação e afirmou que foi um susto para todos. Disse ainda que pretende recorrer da decisão dada em primeira instância e que está buscando uma forma de protocolar a apelação, já que em razão da pandemia de coronavírus, o funcionamento do Judiciário foi alterado.


Fonte: G1 ES

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