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Julgamento de empresário acusado de matar ex-namorada há 24 anos chega ao terceiro dia

Julgamento de empresário acusado de matar ex-namorada há 24 anos chega ao terceiro dia

Gabriela Regattieri Chermont morreu em 1996 após cair da sacada do 12º andar de um prédio em Vitória. Defesa diz que acusado é inocente e que está 'confiante na absolvição do réu'.

  Por Julia Mothe

  12.novembro.2020 às 17:11Atualizado em 12.novembro.2020 às 18:14

Após 24 anos — e nove adiamentos na Justiça —, acontece o julgamento do empresário Luiz Claudio Ferreira Sardenberg. Ele é acusado de ter jogado a ex-namorada Gabriela Regattieri Chermont da sacada do 12º andar de um prédio na Mata da Praia, em Vitória, em 21 de setembro de 1996.

O julgamento começou na manhã de terça-feira (10), teve continuidade na quarta (11) e recomeçou nesta quinta (12).

"Eu honro a memória da minha filha. Eu tenho certeza que a justiça será feita. Espero que não haja nenhuma mais procrastinação. São 24 anos de sofrimento. Aliás, um sofrimento eterno. Quem perde um filho jamais vai voltar a beijá-lo, a vê-lo. Eu nunca mais vou ter a minha filha", lamentou a mãe da vítima, Eroteides Regattieri.

A defesa do empresário, que afirma que Gabriela cometeu suicídio, disse que ele é inocente e que está confiante na absolvição do réu

O julgamento acontece no Fórum Criminal de Vitória, na Cidade Alta. O réu deve ser interrogado nesta quinta.

Relembre o caso

Gabriela Regattieri Chermont morreu após cair do 12º andar do Apart Hotel La Residence, na Mata da Praia, em 21 de setembro de 1996. Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg, seu ex-namorado, é acusado como o responsável pelo crime — sua defesa alega que a jovem teria cometido suicídio.

De acordo com informações do processo, Gabriela e Luiz Cláudio romperam o relacionamento e ela, então, teria começado a conhecer outro homem. Ao saber disso por meio de amigos, Luiz Cláudio começou a ligar para Gabriela até que os dois combinassem um encontro na noite de 20 de setembro de 1996.

Segundo testemunhas ouvidas, os dois foram a um bar no bairro Jardim da Penha, em Vitória. Depois, seguiram para o prédio. Luiz Cláudio afirma que, naquela noite, ele e Gabriela mantiveram relações sexuais. Já a família e a defesa da vítima afirmam que isso não aconteceu e que ela foi agredida até ser arrastada e jogada da sacada do prédio.

Embora Luiz Cláudio diga que tenha consumido apenas cerveja, um exame toxicológico feito na época revelou que o empresário usou cocaína.

Desde o crime, o empresário aguarda o julgamento em liberdade em função de um habeas corpus que conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia a íntegra da nota da defesa:

"Há depoimentos e laudos técnicos que apontam para o fato de que Gabriela Chermont cometeu suicídio. Essa é a tese da defesa no júri. Acreditamos que o julgamento após tantos anos vai acabar com o sofrimento na vida de duas famílias, trazendo a verdade. Luiz Cláudio Ferreira Sardenberg é inocente e espera por esse julgamento há mais de duas décadas. E vai mostrar que o suicídio, na época um tema tratado como tabu, foi o real motivo da morte de Gabriela.

Laudo médico que consta dos autos aponta que a vítima morreu de politraumatismo, em consequência do impacto violento da queda do 12º andar do prédio, em movimento causado pela própria vítima.

Além disso, a perícia mostra que não houve luta corporal, nem vestígios de sangue no apartamento atestado pelo exame de DNA.

Estagiária supervisionada.


Fonte: G1

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