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Operação em presídio é distração para o caso da venda de sentença

Operação em presídio é distração para o caso da venda de sentença

"Farra do Maraca": investigadores e investigados em clima de intimidade. É o retratado do escândalo no Judiciário do Espírito Santo.

  Por Jackson Rangel Vieira

  21.julho.2021 às 12:30

,A operação Armistício, deflagrada no dia 19, com prisões de advogados do Espírito Santo, foi antecipada para tirar do foco o caso do juiz afastado Alexandre Farina, flagrado vendendo sentenças na Operação "Alma Viva".

Serviu como bode na sala: distração para a imprensa, opinião publica e autoridades de Brasília. Isso é voz unânime no mercado político e jurídico. Tanto que foi "distribuída" para a 10ª Vara Criminal de Vitória que, junto com a 4ª Vara, recebe por "sorteio" todas as Operações do Estado. Veja o final da reportagem.

O escândalo Farina trouxe à luz o maior esquema de corrupção na justiça desde a operação Naufrágio. Relações incestuosas, negócios e farras com autoridades vieram à tona, iniciando um efeito cascata.

FARRA DO MARACA

A foto da "Farra do Maraca" se tornou o símbolo dessa crise. Ela mostra Farina em clima de intimidade no Maracanã com autoridades que o investigam e o julgam.

Estavam na foto, dentre outros, o Desembargador Carlos Simões, o ex-Procurador Geral de Justica e atual Sub Éder Pontes, o Secretário do Governo Estadual Tyago Hoffmann e o braço direito da Procuradora Geral de Justiça do MP-ES Danilo Raposo Lírio (promotor chefe de sua assessoria).

Investigadores e investigados, julgadores e réus, se abraçando e revelando profunda intimidade.

A Operação "Armistício" deflagrada dia 19, segunda feira, dia totalmente atípico para operações, fez prisões e busca e apreensões em todos os alvos, inclusive advogados mal feitores.

Em sentido oposto, a Operação "Alma Viva" contra o magistrado Alexandre Farina não pediu prisões e se "esqueceu" até do básico: não fez apreensão do celular do juiz, nem buscas em sua residência, nem tampouco pediu a quebra de seu sigilo bancário no caso da venda de sentenças.

Qual o medo da Procuradora Geral de Justiça do MP-ES Luciana de Andrade e de seus promotores assessores com essa omissão e favorecimento do juiz Alexandre Farina ? Qual explicação para esse "esquecimento"? Por que dois pesos e duas medidas em duas Operações?

DOIS PESOS DUAS MEDIDAS

Advogados mal feitores são presos por levar bilhetes criminosos aos presos, o que é gravíssimo. E juiz corrupto não é preso por vender sentenças, sequer alvo de medidas básicas de investigação?

Se a Procuradora Geral apreendesse o celular o magistrado, saberia quem vazou a operação sigilosa para Alexandre Farina. O promotor chefe de sua assessoria, Danilo Raposo Lírio, que produz todos seus atos e tem acesso a investigações sigilosas como a do juiz, conversava muito com ele pelo WhatsApp. Estavam inclusive juntos na foto da "farra do Maraca", no jogo do Flamengo, em clima de extrema intimidade.

A Procuradora descobriria, inclusive, outros esquemas de corrupção envolvendo inúmeras autoridades, até de outras instituições.

Se a operação foi toda baseada em mensagens de WhatsApp do policial Hilário Frasson enviadas ao magistrado, nada mais lógico do que pedir a apreensão do celular de Alexandre Farina. Até porque é um caso de corrupção, em que essa prova sempre é perseguida em qualquer investigação.

Se houvesse buscas na residência do juiz, o MP poderia ter recolhido mais provas, como computadores, dinheiro em espécie, jóias, documentos particulares de negócios ilícitos e até comprovantes das viagens luxuosas de Alexandre Farina.

A quebra do sigilo bancário dos últimos cinco anos, como é o normal em qualquer Operação, ainda mais em um caso de venda de sentença, ou seja, propina em troca de decisão judicial. Essa quebra mostraria elevados gastos de cartão de crédito, depósitos de dinheiro em espécie em conta corrente e movimentação no banco muito acima do salário de juiz. A Procuradora Geral poderia descobrir, por exemplo, o que todo mundo já sabe: a loja da esposa de Farina, que ele usa para lavagem de dinheiro da venda de sentenças.

A verdade é que ala podre do MP-ES do judiciário, integrantes do novo crime organizado, fizeram uma verdadeira "blindagem por omissão" do magistrado. Alexandre Farina e sua teia de relações e interesses tira o sono da ala podre do MP-ES e do Judiciário.

CÁLCULO

Por fim, mais um indício de que a operação "Armistício" nos presídios foi calculada para tirar o foco do caso de venda de sentenças é o fato de que foi "distribuída" para a 10ª Vara Criminal de Vitória.

Todas as investigações de interesse da cúpula do MP-ES, do Tribunal de Justiça e do Governo nos últimos 10 anos são "distribuídas" ou para 4ª Vara Criminal ou para 10ª Vara Criminal. Lá tudo sai na medida e intensidade de interesse desse sistema.

Nenhuma das outras 8 Varas recebem investigações como essas duas. São 10 Varas Criminais, no total.

A "distribuição por sorteio" somente para a 4ª e 10ª Varas Criminais de Vitória desafia até a mais generosa das estatísticas. A Operação "Armistício" nos presídios foi "distribuída" para a 10ª Vara Criminal. Só essa e a 4ª Vara se prestam a isso: antecipar, turbinar e manipular uma operação para tirar a atenção de todos do caso da venda de sentença (Operação "Alma Viva").

Quer provas dessas coincidências? A FOLHA pesquisou as operações dos últimos 10 anos e para quais Varas Criminais foram "distribuídas": Operação Alquimia I, Alquimia II, Crimes da greve da PM-ES, Protocolo Fantasma, Torrefação, Igreja Maranata, Robusta, Cartél de Combustíveis, Alvará, dentre outras.

Quem advinha onde caíram?


Fonte: FOLHA DO ES

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