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Hoffmann constrange empresa Fíbria/Suzano contratar advogado do PSB em troca de benefício tributário

Hoffmann constrange empresa Fíbria/Suzano contratar advogado do PSB em troca de benefício tributário

A FOLHA se vale do direito constitucional do sigilo da fonte para preservá-la de retaliação ou perseguição ao grupo empresarial

  Por Jackson Rangel Vieira

  20.julho.2020 às 00:11Atualizado em 06.novembro.2020 às 20:40

O Secretário de Governo do ES, Tyago Hoffmann, constrangeu a empresa de celulose FÍBRIA-SUZANO em reunião dentro do Palácio Anchieta, segundo fontes presentes na agenda oficial.

A pauta era a compensação de ICMS, autorizada por lei da Assembléia Legislativa, mas pendente de regulamentação por decreto do Governo do ES. Tyago Hoffmann sugeriu a FÍBRIA contratar advogado do PSB em troca de benefício tributário.

As mesmas fontes relatam que Tyago Hoffmann, balançando a minuta do decreto em suas mãos, afirmou que a solução estava ali. Porém, constrangeu a Empresa a trocar sua assessoria jurídica, contratando um advogado militante do PSB como condição para prosseguir o processo.

Questionadas pela FOLHA se o advogado estava presente, foi dito que não, portanto não se pode afirmar que ele autorizou o uso de seu nome. Por isso, não será revelada sua identidade nesta reportagem. As presenças confirmadas incluem o Secretário de Governo Tyago Hoffmann e a Diretoria da empresa, inclusive seu Gerente de Relações Institucionais no ES, Armando Amorim.

O valor do benefício tributário pleiteado se aproxima de R$ 800 milhões e serve como crédito para a empresa vender com deságio no país, abatendo do ICMS. O padrão da advocacia permite ao advogado cobrar até 20% do benefício obtido pela empresa, o que daria no caso R$ 160 milhões de honorários. Se cobrasse 10%, seriam R$ 80 milhões. Se cobrasse 5%, seriam R$ 40 milhões

Em qualquer cenário, são valores milionários, que seriam pagos oficialmente ao advogado indicado, camuflando a origem ilícita desse dinheiro através de um falso contrato. Seria, em tese, uma propina disfarçada de falsa prestação de serviços, reproduzindo exatamente o mesmo mecanismo da Operação Lava Jato, de lavagem de dinheiro por consultorias.

Após a reunião no palácio, a FÍBRIA-SUZANO, constrangida pela abordagem indevida do Secretário de Governo, decidiu não dar retorno à proposta indecorosa. Optou pela negativa por meio do silêncio.

Na opinião da FOLHA, mesmo sendo suposta vítima de Hoffmann, a empresa deveria ter sido menos tímida, denunciando o fato às Instituições competentes, até por força de seu “COMPLIANCE” (regras anti-corrupção), que impõe deveres éticos de probidade e integridade doa a quem doer.

A FOLHA, exercendo há mais de 30 anos seu jornalismo investigativo, cumprirá o seu papel: denunciará o fato às autoridades publicas para a devida investigação. Isso inclui instituições internacionais, como o Departamento de Justiça dos EUA e a “Securities and Exchange Commission” (SEC, o órgão regulador do mercado acionário norte-americano), já que a FÍBRIA-SUZANO é uma empresa de capital aberto, com ações na bolsa de Nova York.

Além disso, a FOLHA acionará o departamento de “COMPLIANCE” da empresa de celulose, reconhecido pela sua independência e lisura, para conduzir sua própria apuração interna.


Fonte: folhadoes.com

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