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Empresa que não participou da licitação fez "denúncia" que beneficiou o 2º colocado

Empresa que não participou da licitação fez "denúncia" que beneficiou o 2º colocado

Suspeita de acesso privilegiado a informações da Comissão de licitação que pode ter permitido o conluio.

  Por Jackson Rangel Vieira

  01.fevereiro.2021 às 15:00Atualizado em 01.fevereiro.2021 às 16:42

O Consórcio "Pedra Verdes", liderado pela Empresa DAHUA, foi beneficiada por "denúncia" feita fora do rito da licitação e por uma empresa nanica que sequer participou do pregão de mais de R$ 120 milhões.

A empresa se chama ROTA SINALIZAÇÃO VIÁRIA. Essa "denúncia" trouxe o questionamento hipotético que desclassificou o 1º colocado com o menor preço (Consórcio ITS Espírito Santo). Hipotético porque não falava de nenhum caso concreto, nem se referiu ao ganhador.

Até porque a ROTA não poderia confessar que sabia quem eram as empresas do Consórcio vencedor (ITS Espírito Santo). Essa informação é privilegiada e só a Presidente da Comissão Especial de Licitação Josiane Oliveira Martins teria acesso.

A malandragem reside no fato de que a tal "denúncia" provoca o DETRAN com a tese que posteriormente o 2º colocado usou especificamente em sua impugnação contra o vencedor.

A ROTA perguntou "hipoteticamente" se a pena de inidoneidade aplicada contra o um consórcio atingiria também o CNPJ das empresas que o integraram. O DETRAN respondeu que sim, "hipoteticamente falando". Tudo no plano das abstrações, mas é óbvio que já sabiam quem eram as empresas do Consórcio vitoriosos.

Um jogo combinado: a ROTA levantou a bola para o Consórcio "Pedras Verdes" (da empresa DAHUA) cortar e entrar com a "denúncia" específica contra o Consórcio ITS Espírito Santo, 1º colocado com R$ 21 milhões de reais a menos do que o 2º impugnante.

Uma das empresas do Consórcio vencedor, de nome FISCAL, tinha um caso específico e idêntico ao questionamento que a empresa ROTA fez.

Veja o questionamento da ROTA SINALIZAÇÃO:

Ou seja, o DETRAN concordou com a tese hipotética da empresa nanica ROTA, que depois fundamentou a impugnação direta do Consórcio DAHUA-VELSIS contra o ganhador.

Serviu a "denúncia" da ROTA de preparo do terreno para a petição de impugnação do 2º colocado, amarrando a posição do DETRAN antecipadamente.

Assim, o Consórcio da DAHUA já entrou com seu recurso contra o 1º colocado sabendo que teria posição favorável do órgão. A ROTA levantou a bola para o 2º colocado cortar e levar a licitação, desclassificando o consórcio vencedor.

Essa manobra ocorreu em claro conluio da Comissão Especial de Licitação do DETRAN em razão do vazamento de informações privilegiadas sobre as empresas do Consórcio vitorioso. Fizeram a pesquisa antecipada de todas as empresas para criar uma tese qualquer e dar a qualquer custo a licitação para o Consórcio da DAHUA (Consórcio "Pedras Verdes").

Isso está dando a licitação para um Consórcio que deu um lance de R$ 21 milhões de reais acima do 1º colocado. A manobra fica ainda mais escancarada quando se percebe que o DETRAN convocou o 2º colocado sem obrigá-lo a cobrir o preço do vencedor.

O 1º colocado deu um lance de R$ 118 milhões de reais e o 2º lugar deu só um lance de R$ 139 milhões de reais, parando por aí. A diferença gritante de R$ 21 milhões de reais é gritante e o DETRAN não se preocupar em economizar esse valor é muito suspeito.

Além disso, o 2º colocado (Consórcio da DAHUA) não deu nenhum outro lance, além dos R$ 139 milhões de reais. Simplesmente parou nesse valor, como se tivesse desistido de competir ou sabedor de que o 1º colocado seria desclassificado.

Renato Penedo, dono da empresa ROTA

Nesse emaranhado de suspeitas, é importante observar algumas conexões: a empresa ROTA é intimamente ligada ao atual Secretário de Governo do PSB Tyago Hoffmann. Tanto que ela emprega seu amigo pessoal, o empresário de Pernambuco Pablo Magalhães, do esquema "BARRIGA DE ALUGUEL" da ata de registro de preços de Caravelas/Bahia da empresa SAFELY (SAFELUX).

Pablo também é do PSB e sua empresa "ganhou" a licitação da ata baiana. Essa ata foi aderida por Hoffmann quando Secretário de Trânsito de Vitória (PMV) para instalar painéis de luz solar que hoje não funcionam e estão abandonados. Foram mais de R$ 2.5 mi de dinheiro público torrados. E, pasmem, a ata foi produzida em licitação da Prefeitura de Caravelas/BA onde só participaram membros do PSB de Vitória/ES e empresas em nome deles.

Um escárnio, idêntico ao que está ocorrendo com a licitação do cerco eletrônico estadual.

Tyago Hoffmann sempre mostrou muito interesse nesse projeto, a ponto de sua Secretaria de Governo (SEG) ter criado uma "coordenação de inovação e tecnologia" para controlar essas licitações milionárias de "TI" (tecnologia de informação). Tentou lançar" consultas públicas" pela sua Secretaria, para definir as especificações das licitações, só que foi interrompido pela quantidade de denúncias de corrupção e direcionamentos.

Isso ocorreu ao final de 2019, com o mesmo cerco eletrônico estadual, cuja licitação atrasou por mais de um ano. E que agora, publicado o edital novamente na véspera do natal e ano novo (data preferida do Governo do PSB para licitações controversas), o projeto do cerco estadual se afunda em mais uma polêmica de suposto direcionamento criminoso.

A FOLHAES defende que a licitação seja anulada porque virou caso de Polícia e de MP.


Fonte: Folha do ES

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