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Jonas Nogueira se apresenta como antagonista do prefeito Victor Coelho

Jonas Nogueira se apresenta como antagonista do prefeito Victor Coelho

Vice-prefeito versus prefeito em Cachoeiro de Itapemirim para as eleições em 2020.

  Por Redação

  18.outubro.2019 às 18:06Atualizado em 18.outubro.2019 às 21:09


O que realmente motivou seu rompimento com o prefeito Victor Coelho? Ele disse numa entrevista que o senhor preferiu não assumir nenhuma pasta.


O rompimento ocorreu há um ano, por iniciativa do Prefeito, no momento em que eu me posicionei contra o desnecessário e absurdo subsídio concedido por iniciativa do Prefeito à Viação Flecha Branca, o qual de dezembro até hoje já consumiu 2,9 milhões de reais dos cofres públicos. E que seguramente chegará a 3,5 milhões até o final do ano. Recursos que poderiam ser investidos para suprir demandas da Saúde, melhorar a qualidade das avenidas, rodovias e ruas da cidade, além de outras intervenções para proporcionar melhor mobilidade urbana, e ainda, implementar ações para assegurar mais segurança pública à população.

Ele ficou incomodado com minha manifestação, embasada em critérios técnicos, na Audiência Pública e no debate promovido por uma Rádio, e decidiu romper a relação política. Talvez tenha, equivocadamente, pensado que eu seria subserviente e omisso, ficaria inerte e não teria coragem para defender os interesses coletivos mais relevantes dos cachoeirenses que confiaram em nós. O que sempre farei. Afinal, foi por essa razão que decidi me colocar à disposição para atuar na vida pública.

Quanto à narrativa construída pelo Prefeito de que eu preferi não assumir nenhuma pasta esta não corresponde à realidade. Quando pactuamos a retirada de minha candidatura a prefeito para compor a chapa com ele, o ajustado e propagado à população é de que o vice seria atuante na gestão, trabalhando junto com o Prefeito.

Essa atuação efetiva sem ocupar pasta é uma realidade tanto no cenário federal como no estadual: o Vice-Presidente da República, General Mourão, é Ministro de que Pasta? A Vice-Governadora, Jaqueline, é Secretária de que Pasta? O mesmo em relação ao Ex-Vice-Governador Lelo Coimbra.

Finalmente, deve ser trazido ao conhecimento público que quando o Prefeito me procurou para falar em ocupar uma Secretaria afirmei que embora não fosse o acordado aceitaria uma das seguintes pastas: Secretaria de Governo, Secretaria de Fazenda ou Secretaria de Educação. Ao que ele respondeu que já havia assumido compromissos para tais.

Ora, se quisesse de fato que eu ocupasse uma Secretaria importante teria me oferecido antes de assumir compromissos com terceiros.

A prova cabal de que não havia o interesse é o fato de que quando o primeiro Secretário da Fazenda, aquele com quem o Prefeito tinha compromisso, pediu para sair três meses após assumir o cargo ele preferiu convidar o Controlador para assumir a pasta.

Se não podia me nomear na Fazenda no início porque tinha compromisso, por que não o fez nessa ocasião?

E ainda: por que razão, sendo eu cachoeirense e seu vice, o Prefeito não apoiou a mim ou a outro filho da terra na campanha para deputado federal, apoiando candidaturas do norte e de outros municípios? Logo ele que declarou em uma entrevista: “Cachoeiro está acima de tudo. Cachoeiro é meu partido”.


Os cachoeirenses elegeram os senhores para comandarem juntos, e esse rompimento na sua avaliação deixa os munícipes decepcionados?


Certamente muitos votaram acreditando nessa união de forças para uma gestão diferente, com pessoas novas. E muitos relatam essa decepção. Veja que você mesmo afirma que havia uma expectativa de “comandarmos juntos”. De onde tirou essa premissa? Provavelmente de suas lembranças do que foi prometido na campanha. Acredito que poderia contribuir muito e todos perdem com a atual situação.

Mas, como exposto na resposta anterior a escolha de não me incluir na gestão foi do Prefeito desde o início. Ou melhor: antes do início.

Aliás, é bom que venha à luz que desde o final da campanha eu jamais participei de nenhuma decisão. Não fui incluído na Equipe de Transição, não fui consultado ou sequer comunicado da escolha de nenhum secretário. Ficava sabendo pela imprensa.

E mesmo durante a gestão, jamais fui chamado a opinar, dar sugestão ou apresentar meu ponto de vista sobre nenhuma decisão ou intenção.

Simplesmente representava ou substituía o Prefeito em algumas reuniões ou eventos até a discussão sobre o subsídio. Daí em diante já não me pediu mais para representá-lo em nada.

E isso é prerrogativa dele. Não há nada que o vice possa fazer se o titular não lhe inclui na gestão. Pela Constituição Federal o vice é o substituto e sucessor imediato para as hipóteses legais.

Nem por isso, apesar das limitações, deixei de atuar em favor da população cachoeirense. Ao passo que tomo conhecimento de todo o funcionamento da Administração Pública local, tenho visitado obras em andamento, Unidades de Saúde, Escolas, e outros Equipamentos Públicos para verificar o andamento dos trabalhos, observar pontos que podem ser melhorados e sentir o que passa o cidadão usuário dos serviços públicos na ponta. Depois das visitas encaminho e-mail à Ouvidoria, ao Prefeito e à Secretaria correspondente solicitando esclarecimentos e apresentando sugestões de melhoria.

Como Administrador de Empresas aprendi na experiência de 24 anos na iniciativa privada, dos quais 18 anos atuando em cargos de gerência e direção, que é necessário “perguntar para compreender e compreender para agir”.


Qual a sua avaliação da gestão do Prefeito?


Toda gestão sempre terá pontos positivos e negativos.

Assim como grande parte da população eu acreditei numa “nova história”, num jeito novo de fazer gestão pública. Mas, definitivamente, não foi o que de fato aconteceu.

De início destaco que é inadmissível o discurso de que num mandato de 4 anos uma Administração precise de três anos ou 75% do período de governo para “fazer dever de casa, ajustar a máquina ou implementar ferramentas” para só então começar a entregar resultados concretos para a população! Para isso os 3 meses de transição e mais os 6 primeiros meses de governo são suficientes.

Alguns fatos precisam ser evidenciados para justificar minha avaliação da gestão.

A começar pela Reforma Administrativa na qual a quantidade de Secretarias, incluindo a Administração Indireta, só caiu de 25 para 23 em relação à gestão anterior – enquanto o presidente Bolsonaro reduziu de 29 p 22 Ministérios; a quantidade de cargos comissionados só caiu de 580 para 550; o número total de servidores era de 9.723, de acordo com o Portal da Transparência no dia 10 de setembro, dos quais 2.881 são efetivos e 6.842 são contratados, comissionados e estagiários, número muito maior do que na gestão anterior – a máquina está superdimensionada, extremamente inchada. Depois que divulguei esses dados o Portal da Transparência passou a apresentar uma mensagem de que “Devido a migração de plataforma técnica, foram constatadas inconsistências nos dados dos servidores entre os dias 05 e 16 de setembro”. Se uma informação tão importante estava incorreta, será que as demais estão certas? O cidadão pode confiar no Portal da Transparência?

Os critérios de escolhas de servidores e secretários em nada diferem da velha política. Sem contar os servidores de escalões inferiores chegamos a ter 8 secretários vindos de fora, sendo que grande parte da gestão reprovada de Vila Velha, cujo prefeito sequer foi ao segundo turno nas eleições de 2016.

Quando se iniciou a atual gestão o estacionamento rotativo já estava desativado; várias obras importantes pendentes até hoje já estavam com os recursos garantidos, licitadas ou iniciadas, tais como: o Pronto Atendimento Paulo Pereira Gomes, o Centro Municipal de Saúde, a Creche do Village, a escola Olga Dias, dentre outras; logo no início do governo houve o desabamento da escadaria da Rua Alziro Viana, passados três anos não aconteceu a solução definitiva; a revisão do PDM - Plano Diretor Municipal, que deveria ter sido feita em 2016, se arrasta sem conclusão; o último concurso público foi realizado em 2007; os maiores clamores populares durante a campanha eram a melhora da Saúde e a revisão do sistema integrado do transporte coletivo de passageiros que não funciona como previsto e causa grandes transtornos e prejuízos à população. Nenhuma dessas demandas e várias outras foram definitivamente resolvidas em quase três anos de governo.

Os processos seletivos realizados em 2017 e 2018 estão sendo investigados pelo Ministério Público por denúncias de irregularidades. E o último, realizado em maio, contém ilegalidades e imoralidades gritantes, como só atribuir pontos à experiência na gestão pública aos participantes que atuam na Administração a partir de 2017, ou seja, na gestão atual. Se trabalhou 8 anos na gestão anterior não vale nada, perde a vaga para quem é comissionando ou contratado do atual governo, mesmo que por curtíssimo período, ou seja, experiência muito menor do que a do outro.

Acrescente-se a tudo isso o elevadíssimo gasto com publicidade, que saltou de uma média mensal de 100 mil reais em 2018 para quase 400 mil por mês a partir de maio/2019 com a contratação de nova empresa Ampla; as incontáveis e estranhas adesões a atas de registro de preços sem a oportunidade de conseguir preços melhores num novo processo licitatório; as milionárias e inexplicáveis terceirizações; os aluguéis de imóveis sem necessidade e a preços elevados, enquanto há vários imóveis abandonados; e as reformas anunciadas que não passam de um retoque, como, por exemplo, o Mercado Municipal do Amarelo que só passou por pintura externa, estando o interior praticamente abandonado.


Em três anos de governo o que mudou? Qual é a marca da gestão?


Frise-se que é falsa a ideia de que o Prefeito herdou “terra arrasada” e o “município quebrado”.

Não havia nenhuma dívida que não houvesse o correspondente recurso para adimpli-la. Até porque o contrário disso nem é permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Há uma excessiva lentidão para se resolver tudo nessa Administração.

Recentemente fui abordado por um cidadão que estava aguardando uma autorização para um simples desmembramento de um imóvel para abrir uma empresa e gerar empregos que estava aguardando desde janeiro.

Como cidadão e vice-prefeito solicitei ao Secretário da Fazenda, no dia 23/05, vista e cópia de um processo no qual uma concessionária de serviço público pede suspensão da exigibilidade do pagamento de ISS e teve uma decisão proferida no dia 03/01/19. Perguntado sobre qual foi a decisão ele não soube responder. E, de forma absurda e desrespeitosa, alegando que eu “não sou parte interessada e nem tenho procuração da empresa”, encaminhou para a Procuradoria se manifestar. Esta, por sua vez, depois de 4 meses, encaminhou para a Controladoria. Sem que nenhum setor emitisse qualquer parecer, o processo foi liberado para que eu tivesse acesso.

Também questionei formalmente ao Prefeito, Ouvidoria, Fazenda, Controladoria e Procuradoria porque razão uma Execução Fiscal contra a Viação Flecha Branca, cujo valor atualizado é superior a 2 milhões de reais, ficou parado na mesa do juiz desde junho/2015 sem que houvesse nenhuma atitude ou manifestação da Administração até que eu cobrasse. Nesse mesmo período, um pequeno devedor do IPTU teve sua casa levada à leilão. Deveria ser de interesse do Governo promover todos os esforços para recuperar esse dinheiro e investi-lo em favor do povo.

E pior: indaguei porque essa empresa, que em julho era devedora de mais de 10 milhões de reais aos cofres públicos, recebe subsídio mensalmente sem que seja abatido o valor devido?

Percebe-se a toda luz que alguns Secretários não estão atuando conforme é necessário para se alcançar uma boa gestão com resultados efetivos. Mas isso é responsabilidade de quem escala o time. Portanto este é o principal responsável em perceber, cobrar e agir.

E agora o Prefeito, além de não aderir ao Programa da Escola Cívico-Militar, ainda envia emenda para a Câmara pedindo para que o aumento dos salários dos Secretários já entre em vigor de imediato em vez de 2021. Por que razão se todos já estão assentados no exercício do cargo, sendo a maioria desde o início do governo?

Por fim, sem desmerecer as realizações positivas, ainda que à custa de empréstimos bancários de mais de 100 milhões de reais, contratos absurdos como o de 42 milhões com a Corpus referente limpeza urbana, 18 milhões com a Soluções a título de terceirizações de mão-de-obra, 6 milhões de medicina do trabalho com a MedTrab, a gestão precisa melhorar muito.

Assim como um carro completo de porte médio não consegue ter bom desempenho com um motor 1.0, pois precisa de mais força, potência e velocidade, a Administração precisa ser menos burocrática, ter mais agilidade, mais transparência, mais coragem para decidir e agir, mais diálogo, mais presença, mais expressão e mais atitude.

Enfim, precisa ter mais do principal: gestão. E gestão local, sem interferência da capital.


Podemos afirmar que estamos vendo o nascimento de um novo grupo político na cidade?


Parafraseando Magalhães Pinto “política é como nuvem. Você olha ela está de um jeito. Olha de novo e ela já muda”.

Pelos movimentos conservadores e direitistas que têm se levantado no seio da sociedade, sobretudo a partir do levante pró-Bolsonaro na fase eleitoral e agora na vigência do governo, penso que é perceptível que há novos grupos se unindo em torno de ideais em comum.

E isso é muito salutar para a Democracia e bom para a população que passa a ter mais opções para avaliação e escolha de nomes e propostas.


O senhor é pré-candidato?


Sabemos que ninguém é candidato de si mesmo. No nosso caso contamos com total e irrestrito apoio do Partido, que foi corroborado publicamente na reunião partidária no dia 30/08 na Câmara Municipal de Cachoeiro, com as presenças do presidente estadual Manato, da deputada federal Dra. Soraya Manato, dos deputados estaduais Capitão Assumção e Torino Marques, além do presidente municipal Wellington Callegari, do vice-presidente Jathir Moreira e outras lideranças locais.

Além disso, e o mais importante, é que tenho recebido muito incentivo e declarações de confiança e apoio por parte de populares, inclusive boa parte de servidores públicos municipais efetivos, contratados e comissionados, até mesmo de médio e alto escalões que, naturalmente, preferem não se manifestar em público para evitar retaliações. Que, ressalte-se, é outra prática da velha política bem presente na atual Administração.


Por que deixou o PP?


Recebi um convite do PSL para fazer parte de um time ainda maior e com grandes projetos de crescimento e participação nas esferas federal, estadual e municipal. Além de ser o partido do presidente Bolsonaro, a quem apoiei, apoio e confio que dará grandes resultados ao país. Que é um partido de direita, que assim como eu defende os valores da família e os princípios cristãos, é conservador nos costumes, e adota uma postura mais liberal na economia visando ao desenvolvimento econômico capaz de gerar emprego e dignidade ao povo brasileiro. Que defende um estado menor, a desburocratização e a moralização na Administração Pública.


Houve polêmica no seu ingresso no PSL com a sápida do Professor Breno. O senhor se considera pivô desse imbróglio?


O então presidente, Professor Breno, foi quem me convidou para ingressar no partido. E foram algumas conversas desde o início do ano. Portanto, não houve nenhuma polêmica com relação a minha chegada no partido. Ele já esclareceu isso numa entrevista a um jornal local, quando foi taxativo: “nada contra o Jonas”.

A saída dele se deu por discordância na composição da nova Comissão Executiva do Partido. E isso também foi devidamente esclarecido pelo presidente estadual Manato no encontro realizado na Câmara Municipal.

Tenho grande respeito e gratidão ao Breno por ter feito o convite e aberto os diálogos. E antes de conversar com o Manato, me reuni com o Callegari e o Jathir. Deixei claro que não iria para o Partido se não fosse de comum acordo. Somente depois de entendimentos entre eles e a Executiva Estadual é que aceitei o convite. Jamais iria para um partido para desagregar.

Sou grato a todos eles e aos demais líderes estaduais e municipais do partido que me receberam com carinho e abraçaram um projeto único para o fortalecimento do PSL com vistas a vencer as eleições e administrar a cidade de acordo com um novo formato de gestão.


O senhor considera a possibilidade de aliança com outros pleiteadores, deixando a cabeça de chapa ou isso está fora de cogitação?


Temos plena convicção de que é preciso romper com o modelo socialista/esquerdista que está desde 2008 administrando a cidade sem resultados relevantes.

O partido sabe da importância de Cachoeiro no estado e na região sul. E foi aqui, depois de Alegre, a maior votação proporcional obtida pelo nosso candidato Manato ao governo do estado nas eleições 2018, quando conquistou 40 mil votos, apenas mil a menos do que o governador eleito, que é do mesmo partido do Prefeito.

Nesse contexto, não há coerência e a possibilidade de abrir mão de disputar o Executivo como cabeça de chapa. Vamos para a disputa até mesmo puro-sangue, se necessário. Embora estejamos mantendo bons diálogos com os partidos de direita e centro-direita.

O que não ocorrerá com os partidos de esquerda como PT, PSB, PDT, PPS, PC do B, PSOL, dentre outros partidos de esquerda com visão antagônica à nossa visão de valores e formas de conduzir a gestão pública.

* REDAÇÃO: Todos os pré-candidatos a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim-ES indicados pelos partidos terão o mesmo espaço para apresentar suas ideias e propostas.


Fonte: folhadoes.com

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