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Homilia de Domingo: Schuenk, sem batina, é o mais novo irmão de Buiu e Chuculina

Homilia de Domingo: Schuenk, sem batina, é o mais novo irmão de Buiu e Chuculina

Por Pedro Paulo Biccas Júnior

  Por Pedro Paulo Biccas Júnior

  07.julho.2019 às 21:34Atualizado em 07.julho.2019 às 21:44

Lamentavelmente é assim, como um pet, que vem se portando o sacerdote Valdece Schuenk, na diocese de Itapemirim-ES.

"Os religiosos não devem se deixar levar pela ilusão de poder interferir cada vez mais no desenvolvimento das pessoas e dos povos, substituindo os próprios deveres específicos com um empenho político no sentido estrito do termo" (Documento sobre a Vida e a Missão dos Religiosos, Vaticano)

O padre assinou uma denúncia política infundada que não condiz com sua formação profissional tampouco com a cunhadura de seus escritos.Ora, mas pode-se perguntar o interlocutor, o sacerdote deve denunciar sim as mazelas que acometem seu rebanho. De acordo! Entretanto, causa estranheza a referida denúncia ser enviada tão somente à Câmara Municipal de Itapemirim, órgão político, e não aos órgãos de controle e transparência do nosso Estado, como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, por exemplo.

Não há que se permitir, portanto, como leigo e fiel, que um pastor da igreja de Cristo exponha a instituição Católica Apostólica Romana por interesses escusos que perpassam os pormenores de sua vaidade.

Falsidade ideológica, tráfico de influência e corrupção passiva são algumas tipificações criminosas que podem ser incluídas na responsabilização do sacerdote em questão, todavia, deixo estes ponderamentos para juristas de nossa ordem, como Dr. Ives Gandra Martins. Passo a falar, agora, como fiel da Santa Sé.

Diversos Presbíteros Diocesanos e Religiosos de diferentes Institutos tem se engajados na vida pastoral de suas comunidades.Nasce neles o desejo de prestar um serviço maior ao povo estando diretamente presentes nas estruturas políticas do executivo municipal, conseguindo desta forma, pensam muitos, ter condições de interferir a favor dos excluídos exercendo o poder do lado de dentro. Mas afinal, o que diz a Igreja Católica Apostólica Romana sobre este tipo de conduta?

A matéria que rege a questão se encontra no Código de Direito Canônico de 1983 especificamente nos cânones 285 § 3º e 287 § § 1º e 2º A) O cânon 285 diz no §1º : “Os clérigos se abstenham de tudo aquilo que é inconveniente ao próprio estado, segundo as disposições do direito particular”.

§ 2º- Evitem aquilo que, mesmo não sendo indecoroso, é alheio ao estado clerical

§ 3º- Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que implicam participação no exercício do poder civil.

B) O cânon 287 diz: §1º “Os clérigos sempre favoreçam de modo máximo a manutenção entre os homens da paz e da concórdia fundada na justiça ”

§ 2º “Os clérigos não tenham parte ativa nos partidos políticos e na direção de associações sindicais,a não ser que a juízo da competente autoridade eclesiástica, o exijam a defesa dos direitos da Igreja ou a promoção do bem comum”.

Os sacerdotes são homens a serviço de todos, em busca da fraternidade espiritual. Tomar partido envolve o risco de dividir; por isso, os padres não podem intervir diretamente na ação política nem na organização social.

Reduzir a missão do padre a tarefas que são próprias do mundo civil não é uma conquista, mas uma gravíssima perda para a fecundidade evangélica da Igreja inteira. O apelo constante dos leigos, dos pobres, dos doentes, dos marginalizados, das crianças, dos jovens e das famílias testemunha isso.

É bom notar que a restrição apresentada no cânon não compreende em abandonar as próprias idéias políticas; em não ter nenhuma posição política ;nem mesmo não votar no partido que o clérigo julga em consciência ser o que atende mais ao ideal de justiça e paz. Nada impede pois que o clérigo possa ter sua opção partidária, sem a “filiação” que não é recomendada pelo direito canônico .

Ao mesmo tempo, o Concílio Vaticano II ensina que “a Igreja, que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana” (Gaudium et spes, 76).

No Diretório para o Ministério e a Vida dos Presbíteros, se explica: “O sacerdote, servidor da Igreja que em virtude da sua universalidade e catolicidade, não pode ligar-se a nenhuma contingência histórica, estará acima de qualquer parte política. Ele não pode tomar parte ativa em partidos políticos ou na condução de associações sindicais, a menos que, na opinião da autoridade eclesiástica competente, o exijam a defesa dos direitos da Igreja e a promoção do bem comum” (n. 33).

Ao ser indagado a respeito da mistura política durante a contendas locais,o cardeal Dom Raymundo Damasceno foi enfático: “A posição da Igreja Católica, enquanto instituição, é de que não deve assumir nenhuma posição político-partidária. O papa Bento XVI, numa de suas encíclicas, Deus É Amor, foi muito claro ao dizer que a Igreja não pode nem deve tomar nas suas mãos a batalha política. Isso é próprio dos políticos, dos leigos. A Igreja não pode ter pretensões de poder.”


Fonte: folhadoes.com

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