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Contadora vence câncer raro em Cachoeiro realiza sonho de ser mãe

Contadora vence câncer raro em Cachoeiro realiza sonho de ser mãe

Juliana Almeida se recuperou de um tumor e, hoje está grávida

  Por Redação

  15.julho.2020 às 08:48

Superar uma doença grave e realizar o sonho de ser mãe em meio à pandemia da Covid-19. Foi o que aconteceu com a contadora Juliana Viana de Almeida, de 31 anos, de Cachoeiro de Itapemirim. Ela descobriu um câncer raro, venceu o tumor, conseguiu engravidar e, em breve, estará com seu bebê nos braços.

Com cinco meses e à espera de Pedro, ela vive dias de angústia por conta da Covid-19, mas garante que a alegria de se tornar mãe supera qualquer medo ou preocupação. Mesmo porque ela sabe bem o que é enfrentar dias difíceis.

Em abril de 2018, quando tinha dois anos de casada com o empresário Cristiano Barbosa de Souza, de 39 anos, Juliana recebeu a notícia de que estava grávida. Radiantes com a possibilidade de virarem pais, já que haviam planejado o bebê, Juliana teve um sangramento 15 dias após a descoberta, seguida da informação de que tinha sofrido um aborto.

“O médico disse na época que eu não devia me preocupar, pois o meu organismo iria expelir o feto, que teria vida normal e que poderia engravidar tranquilamente novamente. Só que o meu corpo não expelia nada, minha barriga começou a crescer e eu sentia sintomas de gravidez”, explica a contadora.

Uma bateria de exames e um ultrassom viriam a mostrar que Juliana estava, na verdade, com um câncer na placenta e não grávida. Feita a curetagem, uma hemorragia exigiu que ela ficasse internada.

Desespero

Juliana conta que o diagnóstico foi desesperador. “Ainda estava processando a informação de que havia sofrido um aborto. Foi tudo muito chocante. Chorei por uma semana. Mesmo com o médico sendo muito sábio nas palavras, confesso que tomei um susto. Eu sou muito pequena e, na época, pesava 43 quilos. Mas a fé em Deus, a oração e o trabalho psicológico me ajudaram a atravessar essa fase e os meses de tratamento de forma mais tranquila”, afirma.

No período, ela foi acompanhada pelo oncologista e coordenador da Oncologia da Unimed Sul Capixaba, Raphael Luzorio Fernandes, que deu o diagnóstico de neoplasia trofoblástica gestacional.

“A doença costuma ser descoberta após a suspeita de gravidez. Há o atraso menstrual, a mulher faz o exame para saber se está grávida e o resultado dá positivo. Mas, depois, o ultrassom mostra que não houve formação do feto e sim uma fusão anormal do óvulo com o espermatozoide, acometendo o tecido que formaria a placenta, chamado de tecido trofoblástico”, explica o médico.

Tratamento

Segundo o oncologista, esse é um tipo relativamente raro de tumor e se apresenta, na maioria das vezes, a partir de sangramento. O tratamento acontece por meio da evacuação uterina ou esvaziamento uterino, que é uma espécie de raspagem no útero realizada pelo ginecologista.

“Mas, se após o procedimento, o exame Beta hCG se mantiver positivo em níveis elevados, essa paciente vai para quimioterapia. E foi o que aconteceu com a Juliana”, explica Raphael Luzorio.

Nova gravidez

Somente em janeiro deste ano a contadora se sentiu mais tranquila para engravidar novamente.

“O médico orientou seis meses de espera para ficar grávida de novo após o tratamento, mas eu não tive coragem antes. Descobri a gravidez no dia 17 de março. Não tinha noção da gravidade da pandemia e do que ainda estava por vir. Achei que fosse passar rápido, mas isso não aconteceu. A preocupação existe, vejo muitos relatos de morte por Covid-19, mas estou tomando as devidas precauções. Estou trabalhando de casa e só saio para ir ao médico”, ressalta Juliana.

A falta do contato mais próximo com a família e os amigos em um momento tão importante é muito sentida pelo casal. Mas nem por isso deixam de compartilhar o que vivem com as pessoas que tanto amam. O chá revelação do sexo do bebê, por exemplo, foi feito a distância. “Fizemos uma live com a família pelo Instagram e foi muito emocionante”, afirma.

“É uma sensação de prazer enorme estar grávida. Em 2018 queria muito engravidar, mas não tinha noção da proporção do que é ser mãe. Agora, é como se tudo o que vivi me fortalecesse para ser uma mãe melhor para o meu filho. Sem contar que a própria relação com o meu marido melhorou. Nós trabalhávamos muito. Se a gravidez tivesse ido à frente em 2018, a nossa qualidade de família e de união seriam diferentes. Agora, estamos transformados e mais fortalecidos”, revela Juliana.


Fonte: Dia a Dia es

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