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Janeiro Branco: mês de prevenção e cuidados às doenças emocionais

Janeiro Branco: mês de prevenção e cuidados às doenças emocionais

  Por Natan Rodrigues

  11.janeiro.2021 às 09:00Atualizado em 11.janeiro.2021 às 10:15

De forma estratégica, foi pensado e planejado para que no mês de janeiro as pessoas conheçam e se envolvam com as ações de prevenção às doenças emocionais, como depressão, ansiedade, pânico e suicídio. Assim nasceu a Campanha Janeiro Branco, um movimento que ocorre no Brasil e em outros países, dedicado à conscientização e à prevenção em relação à saúde mental e ao bem-estar. As ações são realizadas por profissionais da saúde, estudantes e a população em geral, com o objetivo de chamar a atenção para que as pessoas se mobilizem e se sensibilizem quanto à importância da prevenção, das condições, orientações e características emocionais que podem mudar e salvar vidas.

No Espírito Santo, o governador do Estado, Renato Casagrande, sancionou a Lei Estadual nº 11.078, publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 06 de dezembro de 2019, que instituiu no Calendário Oficial o Janeiro Branco.

A depressão é um dos problemas mais comuns da saúde mental e pode afetar qualquer pessoa, inclusive, aquelas que parecem viver em circunstâncias relativamente ideais, e levar a consequências graves, como a automutilação e o suicídio. É uma doença psiquiátrica crônica e recorrente, que produz uma alteração do humor caracterizado por uma tristeza profunda, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

Vários são os motivos que podem levar uma pessoa à depressão e à ansiedade, como transtornos psiquiátricos, estresse crônico, disfunções hormonais, vícios (cigarro, álcool e drogas ilícitas), experiências de violência doméstica ou abuso, perda do emprego, desemprego por tempo prolongado, separação conjugal, ambiente familiar e social, entre outros.

Segundo a referência técnica em Vigilância de Violências e Acidentes da Secretaria da Saúde, Edleusa Cupertino, diversos fatores, como a violência e o ambiente familiar têm impactos imediatos que levam à urgência e emergência, a médio e longo prazo, e que, se somatizados, geram consequências para toda uma existência.

“É muito interessante que tenhamos uma provocação para que todos reflitam, debatam, conheçam, planejem e até efetivem ações em prol da saúde mental e do combate ao adoecimento emocional dos indivíduos. Além disso, é preciso incentivar as próprias pessoas a pensarem a respeito de suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para investirem e garantirem saúde mental e saúde emocional em suas vidas e nas vidas dos membros de sua família ou das suas relações sociais”, afirmou Edleusa Cupertino.

Dados

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a depressão atinge 5,8% da população brasileira e distúrbios relacionados à ansiedade afetam 9,3%.

Em 2019, os Centros de Atenção Psicossocial habilitados realizaram 4.717 acolhimentos iniciais. Já de janeiro a outubro de 2020, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) realizaram 2.143 novos acolhimentos. Mesmo sem a conclusão dos dados de 2020, observa-se uma queda no número de atendimentos, que está atribuída à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19).

Quanto aos serviços de atenção às situações de crise, que é quando exige a escuta atenta para compreender e mediar os possíveis conflitos, em 2019, foram realizados 934 procedimentos. Já em 2020 foram 910. Esses serviços podem ser realizados no ambiente do próprio CAPS, no domicílio ou em outros espaços do território que façam sentido ao usuário e a família e favoreçam a construção e a preservação de vínculos.

Dados da Vigilância de Violências e Acidentes da Secretaria da Saúde (Sesa) apontam que, de janeiro a 15 de dezembro de 2020, 152 pessoas se suicidaram no Espírito Santo, sendo 117 homens e 35 mulheres. Já em 2019, foram 257 pessoas que cometeram suicídio, sendo 186 homens e 71 mulheres.

Onde buscar atendimento

Uma pessoa que necessita de atendimento em saúde mental deve, primeiro, buscar acolhimento na rede de atenção básica mais próxima de seu domicílio. Em caso de surto psiquiátrico, é preciso acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), para ser encaminhado para o atendimento de urgência e emergência mais próximo.

A porta de entrada da Rede de Atenção Psicossocial é a Atenção Primária à Saúde (APS). Os pacientes são atendidos e acompanhados nas Unidade Básica de Saúde e pelas Equipes de Saúde da Família. Aproximadamente, uma em cada cinco pessoas na APS tem um ou mais transtornos mental ou comportamental, sendo os mais comuns a depressão, ansiedade e transtornos devido ao uso de substância psicoativa.

Para receber atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial, a pessoa deve, primeiro, procurar a unidade de saúde básica mais próxima de sua casa. Havendo necessidade de um tratamento de maior complexidade, a própria unidade faz o encaminhamento para os centros.

Muitos chegam espontaneamente ou encaminhados pela equipe de Saúde da Família ou de hospitais e prontos-socorros e todos os casos passam por uma avaliação pela equipe multiprofissional. Caso o paciente se encaixe no perfil do CAPS, ele é integrado à instituição.

A Sesa conta hoje com leitos psiquiátricos para adultos, no Hospital de Atenção Clínica (HEAC) e no Centro de Atendimento Psiquiátrico Aristides Alexandre Campos (CAPAAC), e leitos de saúde mental infantojuvenis no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba). Além dos leitos próprios, a Sesa conta também com os filantrópicos contratualizados e clínicas credenciadas para atender aos pacientes, utilizando o Protocolo Estadual de Classificação de Risco em Saúde Mental para definição de prioridade clínica para internação.


Fonte: Folha do ES

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