Evair de Melo anteviu o caos da política fiscal do governador Renato Casagrande (PSB). Em janeiro deste ano, o deputado federal (PP) profetizou em artigo publicado no site Diário do Poder  o sinal amarelo para vermelho do estado caótico em se encontra as contas públicas do Governo do Espírito Santo, enquanto o governador gastava com entregas de obras nos municípios para aumentar sua popularidade. 

O parlamentar, bolsonarista, líder da oposição na Câmara Federal, na verdade, não praticou adivinhação, apenas fez cruzamento de dados oficiais das inclinações entre despesas e gastos. E o governador socialista estava gastando mais do que a receita permite, numa irresponsabilidade fiscal.

ROMBO

O próprio corpo técnico do Governo, revisado os dados técnicos sobre as contas públicas do Estado, confessou a previsão absurda de déficit para 2024 de R$ 1,7 bilhão mesmo com projeto aprovado pela Assembleia das despesas versus receitas.  Evair de Melo quando registrou seu prognóstico em janeiro e março, sendo ignorado pelos técnicos e pela imprensa local, ascende como político preparado para interpretar as vísceras da máquina pública do seu Estado.

O deputado disse: “Esse baixo desempenho foi impactado pelo crescimento expressivo das despesas correntes. O crescimento acumulado entre janeiro de 2022 e novembro de 2023 atingiu 25,6%, enquanto a inflação no mesmo período foi de apenas 10,05%. De forma ainda mais acentuada, as despesas com pessoal registraram um aumento de 28,3% nesse período, de acordo com informações disponíveis no site do Tribunal de Contas do Estado.”

IRRESPONSÁVEL

A irresponsabilidade inferida pelo deputado federal ao governador se sustenta quando “naquele momento, o Governo poderia ter administrado, com zelo, logo que a realidade começou a mudar. O vento que traz as mudanças não começou agora, nem no mundo, nem no Brasil e nem tampouco no Estado. É preciso se antecipar e olhar com atenção os cenários e os números da arrecadação. A falta de cautela, de perícia na administração trará problemas aos capixabas”, cravou.

Em um segundo artigo assinado por Evair em março, iniciou o texto assim: “Um sinal de alerta acendeu para o Espírito Santo e não pode ser ignorado. O que se vê é a ponta de um iceberg. Em um ambiente com riscos fiscais elevados, com a projeção dos impactos mais pesados da reforma tributária nas contas públicas nos próximos anos, o Governo do Estado não consegue controlar o crescimento das despesas que se expandem em velocidade muito maior do que as receitas e a inflação.”

Bem, o previsto teve de sair da boca do planejamento técnico do Governo do ES e obrigou o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) enviar projeto de Lei 294/2024, aprovado pelo Legislativo no dia 21, terça. A iniciativa, entretanto, não garante o resultado de saúde financeira anunciada lá atrás. Isso prova que Evair de Melo não estava louco quando debocharam de sua previsão sobre o colapso das metas fiscais, com consequências intangíveis para o contribuinte.

EUFEMISMO

Ricardo Ferraço justificou no projeto de lei que "a presente proposta busca adequar as diretrizes fiscais do ano em curso ao ritmo de realização das receitas e da execução das despesas, sobretudo de investimentos estratégicos necessários para impulsionar o desenvolvimento estadual”. Traduzindo: vamos gastar mais do que tínhamos estimado, mas esse gasto será com investimentos. Ou seja, estamos gastando mais do arrecadamos mais é para um bom motivo. Uma fachada argumentativa.

Para fechar o tema, Evair de Melo escreveu para ninguém ser enganado: “Os números não mentem. A trajetória fiscal do Espírito Santo faz acender um sinal de alerta que deve ser observado com atenção. Diante desse sinal amarelo, ao insistir nesse caminho as consequências serão sentidas por todos os capixabas.”

Enquanto tudo isso acontece, o governador Renato Casagrande está nos Estados Unidos dando milhos aos pombos, em busca de investimentos para o Espírito Santo, mas nada foi anunciado sobre esse tour oficial.