O desembargador José Rodrigo Sade, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), nomeado pelo presidente Lula, Sade entregou seu voto pela cassação do mandato de Sergio Moro como senador, alegando abuso de poder econômico nas eleições, uma decisão que já era antecipada por muitos dada sua indicação.

A controvérsia se acentua ao considerar que Sade, com o respaldo do grupo de advogados Prerrogativas, conhecidos por suas posições favoráveis ao PT e por críticas à Operação Lava Jato, baseou sua decisão em argumentos apresentados pelo PT e PL. Esses partidos acusam Moro de se beneficiar indevidamente durante sua campanha para o Senado, uma acusação que inclui as despesas de Moro com segurança pessoal como parte dos gastos de campanha.

A decisão de Sade vai contrário ao parecer do relator do caso, Luciano Carrasco Falavinha, que se posicionou contra a cassação de Moro, argumentando que não há necessidade de provar a intenção de Moro se candidatar ao Senado pelo Paraná desde o início. Falavinha também destacou que as ameaças enfrentadas por Moro, decorrentes de seu trabalho na Lava Jato, justificariam os gastos com segurança, uma visão não compartilhada por Sade.

Outro ponto de tensão no voto de Sade foi a invocação do nome de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, numa tentativa de desqualificar a defesa de Moro, que argumentava que a notoriedade do ex-juiz dispensava grandes gastos com publicidade. A comparação, segundo críticos, parece deslocada e não diretamente relacionada ao caso em análise.

Com a vista pedida pela desembargadora Claudia Cristina Cristofani, o julgamento foi interrompido, aguardando retomada na próxima segunda-feira. Este caso, que ainda verá o voto de outros quatro desembargadores eleitorais, promete não terminar no TRE-PR, indicando uma batalha legal que deve se estender até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).