Kaio Humberto - 05/01/2017 08h02
Possível desfiliação de Hartung do PMDB causa rebuliço no Estado
Governador pode sair do PMDB e assinar ficha como tucano
A possibilidade de voo do governador Paulo Hartung do PMDB em direção ao PSDB depositou sobre o ninho tucano um fato novo que pode se tornar um problema a ser equacionado: a falta de espaço para comportar muitos caciques.
 
A informação sobre a possibilidade de troca de partido, publicada nesta quarta-feira (04) na coluna Praça Oito, foi recebida com surpresa por lideranças políticas ouvidas pela reportagem. Mais do que surpresas, algumas se disseram cheias de reservas. Não é a primeira vez que especula-se o desembarque de Hartung do PMDB. O último destino seria o PSD.
 
Outro motivo elencado por aqueles que preferem “ver para crer” é que decidir um movimento brusco a pelo menos oito meses do prazo final para movimentações partidárias com vistas à eleição de 2018 não é compatível com a elevada cautela que antecede as decisões do governador.
 
No Ninho
 
Se confirmada a troca de camisas, o PSDB precisará se rearranjar. Para garantir a refiliação de Ricardo Ferraço ao partido, em 2016, o PSDB prometeu a ele o espaço para se candidatar à reeleição ao Senado, em 2018. É justamente o espaço pretendido por Paulo Hartung, como o próprio já revelou em entrevista.
 
Nessa hipótese, Ferraço poderia tornar-se candidato ao governo. No entanto, para buscar o Senado Hartung precisaria deixar César Colnago (PSDB) em seu lugar por nove meses. Sendo assim, eleitoralmente, só restaria ao vice-governador tentar eleger-se governador. Ou seja, ambos precisariam negociar, com Colnago sentado na cadeira de governador.
 
Em frente
 
O presidente do PSDB estadual, Jarbas Assis, diz não ter conhecimento de nenhuma conversa de Hartung com tucanos para preparar a migração e que a chegada do governador pode criar, sim, um problema. “Tem pessoas que gostariam e pessoas que não gostariam da presença dele”, diz. O dirigente também assevera que a especulação não “paralisará o partido”, de modo que a legenda não vai condicionar seus movimentos à definição de Hartung.
 
“A vaga (do Senado) já é do Ricardo. Entendeu o problema? Se Paulo quiser entrar no PSDB, vai ter que discutir com a nacional. E Paulo tem conhecimento desse compromisso que temos com Ricardo. Só se Ricardo quiser abrir mão”, frisou.
 
Ricardo Ferraço não deu entrevista à reportagem. “Só me posiciono diante de fato concreto. Por ora, o que temos é hipótese.” Colnago também não. Caciques do PMDB nacional e o presidente do PSDB nacional, Aécio Neves, foram demandados sobre o tema, via as assessorias, mas o retorno foi o silêncio de todos eles.
 
Especulações
 
Para além das avaliações de que o governador enxergou espaços nacionais mais cômodos em 2018 na pele de liderança tucana, outra recorrente é a de que quis mandar um recado a Ricardo Ferraço. Ele e o colega de Senado Magno Malta (PR) se juntaram numa sintonia de agendas políticas que, previsivelmente, se converterá em parceria eleitoral no ano que vem. Ferraço é considerado bem cotado no PSDB nacional.
 
Idas e vindas
 
PCB
 
Quando no movimento estudantil, compôs os quadros do partido, ainda na década de 1970.
 
PMDB
 
Na reabertura democrática, estava no partido, pelo qual foi eleito para o primeiro mandato, o de deputado estadual, em 1982.
 
PSDB
 
Esteve na fundação do partido, no fim dos anos 1980. Elegeu-se deputado federal.
 
PPS
 
Chegou ao partido em 1999. Saiu em 2001.
 
PSB
 
Foi eleito governador, em 2002.
 
PMDB
 
Retornou ao partido em 2005, no qual permanece
 
Lelo não vê razão para saída do aliado
 
O presidente do PMDB estadual, o deputado federal Lelo Coimbra, afirma que nos últimos 12 anos em que Paulo Hartung está nos quadros do partido não lhe faltaram liberdade para fazer seus movimentos e também não houve escassez de protagonismo. Por essas razões, diz Lelo, “não recomendaria” o desembarque do governador.
 
”São dois elementos positivos e objetivos que sustentariam uma permanência. Outros são de instabilidade, não dão certeza do caminho, caso a decisão de deslocamento fosse feita”, comentou, depois de complementar: “Ele é quadro respeitado, está no terceiro mandato. Tem feito um ajuste fiscal, sendo destaque na crise nacional. O governador nunca teve dificuldades nesses 12 anos de filiação ao PMDB de ter suas diretrizes bem estabelecidas”.
 
O dirigente afirma, também, que três itens postos hoje na política nacional mantêm uma instabilidade que desconvida movimentos como o especulado para Hartung. São eles: incertezas econômicas, o alcance da Lava Jato no seio dos caciques nacionais e a indefinição sobre qual será a legislação eleitoral definitiva para 2018.
 
“Seria bom que Paulo Hartung estivesse junto, partidariamente”, disse


Gazeta Online
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