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Mais de 150 mil pessoas vivem em situação de extrema probreza no ES

Mais de 150 mil pessoas vivem em situação de extrema probreza no ES

  Por Redação

  17.outubro.2020 às 15:05Atualizado em 17.outubro.2020 às 15:19

Os números foram divulgados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN),de acordo com dados correspondentes ao ano de 2018

No Espírito Santo, mais de 150 mil pessoas vivem em situação de extrema pobreza, com renda mensal per capita inferior a R$ 145, de acordo com números do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). A erradicação da pobreza é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), mas especialistas defendem que o problema está diretamente relacionado à desigualdade social.

Segundo dados do Instituto Jones dos Santos Neves, em 2018, o percentual da população pobre no Espírito Santo foi 20,8%, o que corresponde a aproximadamente 827 mil pessoas vivendo com menos que US$ 5,50 por dia (PPC 2011) ou R$ 415,40 por mês.

Foto: Internet

A meta das Nações Unidas é, até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas, em todos os lugares. Em 2018, 13,5 milhões de pessoas foram localizadas em situação de extrema pobreza no país. “No Brasil, a pobreza é um problema secular. A população pobre brasileira é muito ampla, sempre foi ampla e dificilmente ela vai ser erradicada”, afirmou o doutor em Política Social, Vicente Colodeti.

De acordo com ele, a grande quantidade de pessoas em situação de pobreza é consequência da desigualdade social e econômica. “Toda riqueza que é produzida na sociedade atual não é igualmente compartilhada entre todos. Existe uma estrutura de oportunidades que não chega a todos”, enfatiza.

Ainda segundo o especialista, a forma que o problema é encarado impede o desenvolvimento de políticas públicas eficientes para a redução dos índices de pobreza. “A gente está em um momento que se pensa a pobreza de forma muito individualizada. Pobreza é muito mais que isso. É consequência da brutal desigualdade na distribuição da riqueza produzida”, ressalta.

Vicente Colodeti acredita que as medidas para a redução da pobreza extrema no país devem incluir a inserção de pessoas pobres em sistemas de oportunidade da sociedade “É preciso ampliar as oportunidades de geração de renda, de produção e de distribuição. Criar sistemas que possam incluir a pessoa pobre no orçamento do país, no consumo, nas políticas públicas como o todo”, destaca.

Falta investimento na educação

Especialistas defendem que os altos índices de pessoas em situação de pobreza no Brasil também são consequência de decisões governamentais. Dentre essas escolhas, está a falta de atenção à educação, de acordo com a economista Arilda Teixeira. “Falta uma estrutura de ensino de qualidade, que possibilite a todos os cidadãos ter acesso a educação , independentemente da classe social e financeira”, destaca.

Segundo a economista, a solução da pobreza não pode ser pensada apenas do ponto de vista da oferta de vagas de trabalho. “Emprego é consequência do crescimento econômico, explicado pelo investimento e pela capacidade de compra dessas pessoas. É uma consequência da atenção com a instrução dessas pessoas”, ressalta.

“Emprego é consequência da atenção com a instrução dessas pessoas”, diz Arilda Teixeira. Foto: Fábio Anderson

Governo do estado

No Espírito Santo, as políticas públicas para a erradicação da pobreza são realizadas de forma conjunta com os municípios, informa a secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades), Cyntia Figueira Grillo. “A Setades faz a gestão de três politicas sociais: assistência social, desenvolvimento social e trabalho, emprego e renda”, destacou.

A secretária afirma que, por meio do Cadastro Único, o governo faz o mapeamento das pessoas em vulnerabilidade econômica no estado. “Esse mapeamento possibilita que a gente promova projetos sociais para esse público”, destacou.

De acordo com Cyntia, a Setades transfere recursos para os fundos municipais de assistência social, direcionando valores para os CRAS, CREA e unidades de acolhimento das cidades capixabas. “Em 2020, nós transferimos, em três parcelas regulares, um total de quase 50 milhões para os 78 municípios do estado, valor dividido de acordo com o porte de cada município”, afirmou.

Secretária: assistência social, desenvolvimento e trabalho. Foto: Secom

A secretária também pontuou a oferta de vagas no Sistema Nacional de Emprego Geral (Sine) de gestão estadual e municipal, além do desenvolvimento do Bolsa Capixaba, programa de transferência direta de renda para pessoas em extrema pobreza que complementa o Bolsa Família. “A gente olha a pobreza não especificamente pelo viés da renda, mas pela falta de oportunidades e falta de acesso a serviços. Tudo isso junto forma o nosso contexto de pobreza”, explica.

Além do Bolsa Capixaba, a secretária disse que o governo promove a compra direta de alimentos (CDA), adquirindo produtos alimentícios de pequenos agricultores capixabas e direcionando para pessoas em situação de fome. “Além de transferir renda para o produtor da agricultura familiar, que é a base da economia do Espírito Santo, a gente distribui para pessoas mais vulneráveis”, concluiu.


Fonte: ES Hoje

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