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Polícia prende PM suspeito de negociar o assassinato de MC Poze por R$ 300 mil

Polícia prende PM suspeito de negociar o assassinato de MC Poze por R$ 300 mil

Policial militar é apontado como chefe de grupo que se associou a traficantes e milicianos para cometer crimes diversos, incluindo roubos milionários.

  Por Yasmin Silva

  08.setembro.2020 às 13:17

Uma operação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) levou à prisão, nesta terça-feira (8), um policial militar apontado como chefe de um grupo que se associou a traficantes e milicianos e que chegou a negociar a morte de MC Poze por R$ 300 mil. Outro PM também foi preso, enquanto outros três e um guarda municipal estão foragidos.

O PM foi identificado como Igor Ramalho Martins. Áudios obtidos pelos investigadores revelaram que ele tinha ligações com o miliciano mais procurado do Estado, Wellington da Silva Braga, o Ecko, e ao mesmo tempo se associava a traficantes como Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca.

Em um dos áudios, o PM Igor Martins revela a encomenda feito por Ecko do assassinato do MC Poze por R$ 300 mil.

“Tô de serviço hoje, vou pegar a viatura e vou ficar em volta da Nova Holanda. O que tiver saindo aí, de bom, inclusive o Poze, tu me dá ideia e vê por onde ele vai sair, como ele vai sair. O que pegar tu vai entrar na divisão, pô, pra gente colocar uma prata no bolso, o que tu acha? Só o Poze, ele vale 300 mil no Ecko”, diz o PM no áudio.

Suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas, MC Poze, como é conhecido Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, chegou a ser considerado foragido em julho deste ano depois que teve prisão preventiva decretada. A Justiça, no entanto, acabou revogando o pedido de prisão.

Marlon Brendo Coelho Couto Silva,  conhecido como MC Poze do Rodo, do Rio de Janeiro, foi preso por apologia ao crime em MT — Foto: Twitter/Reprodução

Marlon Brendo Coelho Couto Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, do Rio de Janeiro, foi preso por apologia ao crime em MT — Foto: Twitter/Reprodução

Em outro áudio, o PM Igor Martins revela o plano de um roubo milionário e detalha a divisão do dinheiro.

"Vamos dar o bote amanhã na casa. Eu, você e o Vacão. Três cabeças, 900 mil, 300 mil pra cada um. Cada um vai tirar 70 mil e dar pra Carla, com a Cris e a Loira. Cada um vai ficar com 230 mil", diz o policial no áudio obtido pelos investigadores.

A polícia ainda não descobriu se o roubo de R$ 900 mil foi concluído, porque não conseguiu identificar a vítima. Mas, com base nas interceptações feitas pelos investigadores, a suspeita é que a vítima seria uma idosa que havia recebido um seguro de vida.

'Total Flex'

A operação que levou à prisão do PM Igor Ramalho Martins foi batizada de Total Flex. Segundo o delegado Delegado titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, Moisés Santana, o nome foi escolhido considerando a associação do grupo comandado pelo policial tanto a traficantes quanto a milicianos.

"Os criminosos, literalmente, passeavam pelo código penal praticando diversos tipos de modalidades criminosas, violentas, e nos chamou a atenção a associação [do grupo criminoso] tanto ao tráfico quanto a milicianos, tanto da Zona Oeste quanto de Jacarepaguá", disse o delegado.

O policial enfatizou que o grupo, majoritariamente formado por policiais militares, agia com muita violência e que aliciava civis para auxiliarem no planejamento dos roubos.

"Esse grupo atuava de forma muito violenta. A gente notou isso através das investigações e o que mais nos chamou a atenção foi o fato deles praticarem esse tipo de atividade [com o apoio] de moradores locais que trabalhavam para eles, integrantes da organização criminosa, identificavam pessoas que haviam recebido uma grande quantidade de dinheiro em determinada circunstância e eles planejavam a execução desse roubo", ressaltou o delegado Moisés Santana.

Ao todo, a operação tinha como alvo sete mandados de prisão preventiva e 43 de busca apreensão. Outro PM além de Igor foi preso. Entre os cinco foragidos estão três policiais militares, um guarda municipal, e um civil que não é agente público.


Fonte: G1

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